O Vaticano anunciou nesta segunda-feira que não participará do Conselho de Paz proposto pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A decisão foi comunicada pela Secretaria de Estado da Santa Sé, que reiterou a posição histórica da Igreja Católica de neutralidade em iniciativas políticas unilaterais.

Segundo o comunicado oficial, a Santa Sé considera que sua participação em conselhos de paz deve ocorrer apenas no âmbito de organismos multilaterais amplos, como a ONU, e não em grupos liderados por um único país. A nota afirma que o Vaticano apoia o diálogo internacional, mas não pode se vincular a iniciativas que possam ser vistas como alinhamento político com qualquer nação.

O Conselho de Paz de Trump foi anunciado em 2025 como uma plataforma para mediar conflitos globais, especialmente no Oriente Médio e na Europa Oriental. A recusa do Vaticano representa um revés simbólico para a proposta, que busca reunir líderes religiosos e políticos para promover a paz. Especialistas apontam que a decisão reflete a cautela da Igreja em não se envolver em projetos que possam comprometer sua independência diplomática.

O Vaticano mantém uma política externa baseada na neutralidade e no diálogo multilateral. Ao longo dos anos, a Santa Sé participou de mediações de paz em diversos conflitos, sempre sob a égide de organismos internacionais. A recusa em integrar o conselho de Trump está alinhada com essa tradição.

O anúncio foi bem recebido por setores que defendem a imparcialidade da Igreja em assuntos políticos. No entanto, também gerou críticas daqueles que acreditam que a Santa Sé deveria ter uma participação mais ativa em iniciativas de paz, independentemente da origem. O debate reflete as tensões entre a tradição diplomática vaticana e a pressão por engajamento em questões contemporâneas.