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Setor de chips está em ‘modo de crise’ por escassez de memórias, diz maior fabricante da China | Empresas

A principal fabricante de chips da China, a Semiconductor Manufacturing International Corp. (SMIC), afirma que o setor está em “modo de crise”, com fabricantes de eletrônicos tentando desesperadamente garantir o fornecimento de chips de memória.

A empresa alerta que o aumento da demanda pode levar a uma supervalorização dos pedidos num momento de escassez global sem precedentes.

O coexecutivo-chefe (CEO), Zhao Haijun, disse na quarta-feira que já vivenciou cinco superciclos de memória e que, em tempos de baixa oferta, o efeito de supervalorização se torna muito evidente. “É como comprar passagens aéreas: se a Air China não tiver passagens disponíveis, você vai ao balcão da China Eastern Airlines e de outras companhias aéreas em busca de passagens. Isso pode fazer com que o total de pedidos pareça muito maior do que a demanda real”, disse Zhao.

“Os chips relacionados à memória e à energia estão atualmente com uma significativa escassez. Agora, o setor está nesse modo de crise urgente para correr atrás do fornecimento de memória”, acrescentou.

Fabricantes de celulares de gama média e baixa estão particularmente afetados pela escassez de suprimentos, disse Zhao, mas ele permanece otimista de que a SMIC possa continuar crescendo graças a encomendas relacionadas a inteligência artificial (IA), memória e aplicações de gama média a alta.

“Observamos que alguns canais e camadas intermediárias da cadeia de suprimentos estocaram grandes quantidades de memória, pois esperam vendê-las a um preço mais alto em um cenário de oferta insuficiente. Esses estoques poderão ser liberados posteriormente, quando novas capacidades entrarem em operação ainda este ano.”

Zhao afirmou que a empresa espera que novas capacidades de chips de memória entrem em operação ainda este ano, mas não serão imediatamente utilizadas em produtos relacionados à IA, como memória de alta largura de banda (HBM), devido a um processo de verificação mais longo e complexo. “Portanto, essas capacidades poderão ser verificadas e utilizadas em breve para aplicações relacionadas a eletrônicos de consumo.”

A SMIC está aconselhando os fabricantes de eletrônicos a não serem “muito pessimistas” em relação à escassez de chips de memória e a não reduzirem os pedidos de outros chips necessários para a produção de seus dispositivos, disse ele.

“Caso contrário, se a demanda se recuperar e novas capacidades de memória entrarem em operação no terceiro trimestre, eles não terão chips suficientes para fabricar seus produtos”, disse Zhao. “Muitos clientes foram convencidos por nós e reduziram a escala de suas reduções de pedidos.”

Enquanto isso, a SMIC afirmou que seus lucros para 2025 foram impulsionados pelos “efeitos de reestruturação” da indústria nacional de chips, que está migrando da produção no exterior para a produção local, e prevê que essa tendência continue em 2026.

Os desenvolvedores locais de chips continuam ganhando participação de mercado de concorrentes estrangeiros em vários segmentos, incluindo chips automotivos, em uma reestruturação massiva do setor que está remodelando o cenário da cadeia de suprimentos. Assim, a SMIC manterá seus investimentos em níveis recorde em 2026 para atender a essa crescente demanda, disse Zhao.

“Os produtos analógicos apresentaram a maior migração para fornecedores nacionais, seguidos por drivers de display, memória, câmeras e microcontroladores, sinais mistos, chips lógicos etc.”, disse o executivo.

Zhao afirmou que a SMIC também está se beneficiando da reestruturação acelerada da cadeia de suprimentos automotiva, com a receita da empresa com wafers (placas de silício) para aplicações industriais e automotivas crescendo em mais de 60% em relação ao ano anterior.

A fabricante de chips informou que seu investimento para 2026 será de aproximadamente US$ 8,1 bilhões, valor semelhante ao do ano passado. A empresa espera que o crescimento da receita neste ano seja superior à média do setor nos mesmos mercados.

Zhao disse que a SMIC elevou sua capacidade mensal em 50 mil wafers em 2025 e planeja continuar aumentando em cerca de 40 mil wafers mensais até o final deste ano. No entanto, devido aos contínuos e elevados investimentos em capacidade, a depreciação dos equipamentos neste ano será cerca de 30% maior do que anteriormente.

A SMIC reportou receita recorde para o ano de 2025, de US$ 9,32 bilhões, com lucro líquido subindo 38,9%, para US$ 685 milhões. A empresa informou que a receita para o trimestre de outubro a dezembro atingiu US$ 2,48 bilhões, um aumento de 12,8% em relação ao ano anterior, enquanto o lucro líquido subiu 60,7%, para US$ 172,85 milhões.

A taxa de utilização da capacidade produtiva da SMIC no último trimestre de 2025 permaneceu em um patamar alto, de 95,7%, impulsionada pela forte demanda por produção local.

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