Parlamentares da oposição reagiram nesta quarta-feira (11) ao pedido da Polícia Federal para afastar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli da relatoria do inquérito que investiga o Banco Master. A autoridade policial encontrou no celular de Daniel Vorcaro, dono do Master, menções ao magistrado.
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, entregou ao presidente da Corte, Edson Fachin, o relatório com as informações. Em resposta, o gabinete de Toffoli disse que “o pedido de declaração de suspeição apresentado pela Polícia Federal trata de ilações”.
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, chamou o escândalo de “Toffolão”, em referência ao Mensalão, e disse que a comissão votará uma série de requerimentos após o Carnaval.
- PF pede suspeição de Toffoli por conteúdo no celular de Vorcaro; ministro fala de “ilações”
“O Toffolão é um escândalo tão grande que não dá para esconder nas artimanhas do sistema. Na semana posterior ao carnaval a CPI do Crime Organizado votará os requerimentos de quebra de sigilo e convocações dos envolvidos. O Brasil só será uma República com todos sob a mesma lei”, destacou Vieira.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) afirmou que o grupo de trabalho formado pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) esteve com Rodrigues e Fachin nesta quarta (11). Segundo ela, os dois “demonstraram compromisso com a verdade e a transparência”.
“Hoje tivemos a oportunidade de conhecer detalhes que deram origem às operações policiais já deflagradas para investigar as denúncias de corrupção em torno do Banco Master. Quem apostou na impunidade vai se dar muito mal”, apontou a senadora.
O deputado federal Kim Kataguiri (União-SP) ressaltou que “os agentes da PF estão arriscando suas carreiras e suas vidas” ao investigar o caso Master. “Agora cabe à gente mobilizar a população para pressionar o sistema. Nós precisamos voltar para as ruas e derrubar Dias Toffoli!”, disse.
Para o deputado, o Supremo, o governo Lula (PT) e o Congresso “querem acabar com a investigação”. Ele defendeu o impeachment do ministro. O deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) anunciou que um novo pedido de impeachment de Toffoli será apresentado em breve.
“Já estamos redigindo o impeachment de Dias Toffoli para protocolar imediatamente. Deu! Impossível o país assistir a um absurdo desses sem que se tomem as devidas providências. Impeachment de Toffoli, já!”, afirmou Van Hattem.
O senador Carlos Portinho (PL-RJ) disse esperar que o pedido da PF “inspire os senadores que ainda não assinaram o impeachment de Toffoli a fazê-lo”. “O que fizeram com a mais alta Corte do país!? Vergonha”, disse Portinho.
PGR arquivou pedidos da oposição para afastar Toffoli do caso Master
Em janeiro, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, arquivou três representações apresentadas pela oposição que pediam o afastamento do ministro Dias Toffoli da relatoria do inquérito que investiga o Banco Master.
Os deputados federais Adriana Ventura (Novo-SP), Carlos Jordy (PL-RJ) e Caroline de Toni (PL-SC) citaram a viagem do ministro para Lima, no Peru, na companhia do advogado de um dos envolvidos na investigação.
Gonet arquivou os pedidos sem analisar o mérito. “O caso a que se refere a representação já é objeto de apuração perante o Supremo Tribunal Federal, com atuação regular da Procuradoria-Geral da República. Não há, portanto, qualquer providência a ser adotada no momento”, disse o procurador-geral no despacho.
Moraes e Toffoli defenderam juízes acionistas e fazendeiros
Logo após o anúncio de Fachin sobre o Código de Ética do STF, o ministro Alexandre de Moraes mandou uma série de indiretas sobre a crise aberta na Corte com os desdobramentos do inquérito do Banco Master.
O escritório de advocacia da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes, fechou um contrato de R$ 129 milhões para representar o banco de Vorcaro. Segundo Moraes, a legislação atual garante ao magistrado o direito de receber por palestras e de ser acionista de empresas, desde que não seja sócio-dirigente.
Toffoli concordou com o colega e saiu em defesa de juízes “donos de empresas” e “fazendeiros”. Duas empresas ligadas a parentes de Toffoli tinham como sócio um fundo de investimentos conectado, de forma indireta, ao Banco Master.
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