Até o momento, as refinarias indianas não foram instruídas pelo governo a interromper as compras de petróleo russo e precisarão de um período de transição para concluir as compras já em andamento, disseram duas fontes do setor de refino nesta terça-feira, após um acordo comercial de Nova Déli com Washington.
Na segunda-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou um acordo comercial com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, que incluía a suspensão das compras de petróleo da Rússia, mas sem detalhes sobre como e quando essas compras pela Índia terminariam.
Embora a Índia tenha reduzido as compras de petróleo russo, as refinarias já reservaram cargas com embarque para fevereiro e chegada em março, disseram as fontes, que pediram para não ser identificadas por não estarem autorizadas a falar com a imprensa.
Trump afirmou que o acordo comercial reduziria as tarifas americanas sobre produtos indianos de 50% para 18%, em troca da Índia diminuir as barreiras comerciais, encerrar as compras de petróleo russo e importar, em vez disso, dos Estados Unidos e, potencialmente, da Venezuela.
Modi saudou a redução das tarifas, mas não mencionou a suspensão das compras de petróleo russo.
Após o início da guerra de Moscou na Ucrânia em 2022, a Índia se tornou a principal compradora de petróleo bruto russo transportado por via marítima a preços reduzidos, provocando uma reação negativa das nações ocidentais que haviam imposto sanções ao setor energético russo com o objetivo de reduzir a receita de Moscou e dificultar o financiamento da guerra.
A Índia reduzirá gradualmente as importações de petróleo russo, disse uma terceira fonte na terça-feira, acrescentando que uma paralisação completa prejudicaria as operações da refinaria da Nayara Energy, empresa apoiada pela Rússia e com capacidade para 400 mil barris por dia. A refinaria passou a depender exclusivamente de petróleo bruto russo após as sanções da União Europeia contra a empresa em julho passado.
No entanto, a Nayara não planeja usar petróleo russo em abril, pois fechará sua refinaria por mais de um mês para manutenção a partir de 10 de abril, acrescentou a terceira fonte.
Outras duas refinarias suspenderam novos pedidos nos últimos dias, após terem reservado volumes para fevereiro e março, disseram fontes da indústria na terça-feira. Uma das fontes afirmou que sua empresa pode adiar o embarque das cargas de março para abril, a fim de limitar a importação total de petróleo russo pela Índia.
As fontes, que pediram para não serem identificadas por não estarem autorizadas a falar com a imprensa, disseram que as futuras compras dependerão das orientações do governo.
A India Oil, a Bharat Petroleum e a Nayara são compradoras regulares de petróleo russo.
A Reliance Industries, que suspendeu as compras de petróleo russo por um mês, voltará a comprar até 150 mil barris por dia a partir de fevereiro, afirmou um executivo da empresa na semana passada.
As quatro empresas e o Ministério do Petróleo da Índia não responderam aos e-mails solicitando comentários.
Na semana passada, fontes disseram que a Índia estava se preparando para reduzir as importações de petróleo russo para menos de 1 milhão de barris por dia, com uma das fontes afirmando que essas importações eventualmente totalizariam entre 500 mil e 600 mil barris por dia.
As importações indianas de petróleo russo atingiram um pico de cerca de 2 milhões de barris por dia em junho passado.
Trump afirmou no sábado que a Índia compraria petróleo venezuelano, mas fontes do setor de refino disseram na terça-feira que apenas a Reliance e a Nayara tinham capacidade para processar petróleo bruto pesado em grandes volumes. Segundo essas fontes, as refinarias estatais não poderiam simplesmente mudar para o petróleo venezuelano e só conseguiriam substituir menos de 10% do fornecimento russo.
As importações indianas de petróleo russo caíram para o nível mais baixo em dois anos em dezembro, segundo dados de fontes comerciais.
Fontes do setor de refino disseram no mês passado que as refinarias indianas têm comprado mais petróleo de países do Oriente Médio, da África e da América do Sul, à medida que reduzem as compras de petróleo russo.
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