A licitação da limpeza urbana de São João de Meriti passou a ser tema de debate público após uma empresa do setor questionar o formato do edital. Com a circulação de informações desencontradas, o Jornal de Meriti analisou os processos disponíveis, ouviu os argumentos apresentados e organizou os fatos para explicar à sociedade o que mudou, o que está sendo questionado e qual é a nossa avaliação.
COMO FUNCIONAVA A CONTRATAÇÃO ANTES
Após consulta aos processos de contratação de 2024, 2025 e aos registros disponíveis até os dias atuais, foi possível identificar que os serviços de limpeza urbana não estavam concentrados em um único contrato.
O modelo anterior funcionava de forma fragmentada, com contratações separadas para diferentes etapas do serviço, como:
- coleta de resíduos
- transporte
- destinação final
- serviços específicos ligados ao manejo de resíduos
Esse formato permitia a participação de um número maior de empresas, inclusive aquelas que atuam apenas em parte da cadeia da limpeza urbana, facilitando a concorrência e ampliando o acesso ao mercado.
O QUE MUDOU NO MODELO ATUAL
No novo pregão, a adotou um modelo unificado de contratação, reunindo praticamente toda a limpeza urbana em um único contrato, estimado em R$ 58,6 milhões.
O edital passou a concentrar, em uma só operação:
- coleta domiciliar
- transporte de resíduos
- operação de transbordo
- coleta de recicláveis
- operação de ecopontos
- resíduos da construção civil (RCD)
- trituração e beneficiamento
Na prática, a Prefeitura optou por um modelo altamente centralizado, com um único operador responsável por toda a cadeia do serviço.
O QUE A LIMPPAR ESTÁ QUESTIONANDO
A apresentou uma representação ao , questionando exclusivamente o formato do edital, e não pessoas ou gestores públicos.
De forma objetiva, a empresa argumenta que:
- a unificação elevou excessivamente as exigências técnicas
- empresas médias não conseguem executar todos os serviços sozinhas
- a proibição de consórcios dificulta ainda mais a participação
- o conjunto de regras reduz a concorrência
- o modelo impede a disputa em igualdade de condições
Segundo a empresa, o edital, da forma como foi estruturado, fecha o mercado e precisa ser revisto para ampliar a competitividade.
👉 O documento apresentado pela LIMPPAR ao Tribunal de Contas está disponível para consulta pública:
(Documento disponibilizado pela própria empresa, incluído para fins de transparência e informação ao leitor.)
NOSSA VISÃO SOBRE O CASO
Nossa análise segue um caminho diferente do apresentado pela empresa.
Entendemos que a unificação dos serviços é uma decisão administrativa, tomada com a intenção de:
- concentrar responsabilidade
- reduzir conflitos entre contratos distintos
- facilitar a cobrança por resultados
No entanto, é necessário considerar um ponto central:
👉 o modelo adotado não dialoga com a realidade da maioria das empresas brasileiras do setor.
A maior parte das empresas não está preparada para assumir um processo tão rigoroso e concentrado, que reúne todas as etapas da limpeza urbana em um único contrato, especialmente sem a possibilidade de consórcios.
Na prática, ao invés de otimizar e facilitar, o modelo acabou:
- dificultando a participação das empresas
- reduzindo a concorrência
- afastando empresas tecnicamente capacitadas para executar partes do serviço
Isso não configura corrupção, mas evidencia um modelo excessivamente concentrado, que pode acabar dificultando a competição e precisa ser avaliado com cuidado pelos órgãos de controle.
O QUE É IMPORTANTE A SOCIEDADE SABER
- não há prova de corrupção
- não existe decisão do Tribunal apontando irregularidades
- não há empresa vencedora oficialmente divulgada
- o que existe é um questionamento administrativo sobre o modelo do edital
Cabe agora ao Tribunal de Contas avaliar se o formato adotado:
- está adequado
- precisa de ajustes
- ou deve ser revisto
CONCLUSÃO
Em resumo:
- o modelo de contratação mudou
- a unificação elevou significativamente as exigências
- a LIMPPAR questiona a dificuldade de participação
- nossa análise aponta que o problema está no excesso de concentração, não em fraude
O debate correto é técnico e administrativo:
👉 como contratar melhor, garantindo eficiência, sem excluir empresas que poderiam prestar um bom serviço à população de São João de Meriti.
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