O presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco), Kleber Cabral, prestou depoimento à Polícia Federal (PF) nesta sexta-feira (20), após criticar decisões de Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), dadas na investigação sobre acesso irregular e vazamento de informações de ministros da Corte e de familiares.
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Em nota, a Unafisco disse que Cabral prestou depoimento “na condição de investigado” apenas “em razão das declarações concedidas à imprensa na quarta-feira”. O Valor entrou em contato com a PF e com o STF para saber se o presidente da Unafisco foi ouvido como investigado. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. A oitiva foi determinada por Moraes quinta-feira (19).
“Ele foi ouvido na condição de investigado no âmbito do chamado Inquérito das fake news, apenas em razão das declarações concedidas à imprensa na quarta-feira, 18 de fevereiro”, diz a nota da Unafisco.
“Conforme informado pela autoridade policial, o procedimento tramita sob sigilo, razão pela qual o presidente da entidade não poderá comentar o conteúdo do depoimento neste momento”, conclui a associação.
Na quarta, Cabral concedeu entrevista ao g1. Na ocasião, disse que é menos arriscado fiscalizar o Primeiro Comando da Capital (PCC) do que “altas autoridades da República”. À CNN Brasil, afirmou que não há indícios de que um auditor investigado teria vazado dados de ministros ou familiares. Antes, a Unafisco havia criticado a imposição de medidas cautelares contra suspeitos. O argumento é que a apuração ainda é inicial.
As críticas se dirigem a uma operação autorizada por Moraes e realizada na terça-feira (17) contra quatro suspeitos de acesso irregular e vazamento de informações fiscais de ministros e familiares. Tanto a PF quanto o Fisco ainda apuram a motivação dos supostos acessos indevidos. Investigam, por exemplo, se houve motivação política ou venda dos dados.
Foram alvos da operação Ruth Machado dos Santos, servidora da Receita no Guarujá; Luiz Antônio Martins Nunes, técnico do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) no Rio de Janeiro, que foi cedido ao Fisco; Ricardo Mansano de Moraes, auditor fiscal da Receita desde 2007; e Luciano Pery dos Santos, que também atua como técnico do Seguro Social, em uma delegacia da Receita em Salvador.
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