O Observatório Cubano de Direitos Humanos (OCDH) rejeitou as conclusões de um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) e apontou o regime comunista como único responsável pela crise humanitária que assola o país caribenho.

Em nota divulgada nesta semana, a entidade afirma categoricamente que "a miséria que hoje vive Cuba se deve ao fracasso do sistema político e econômico comunista, e não às medidas de outros países." A declaração é uma resposta direta ao relatório da ONU, que atribuía parte significativa da crise ao embargo econômico imposto pelos Estados Unidos.

O colapso do modelo cubano

O OCDH argumenta que a escassez de alimentos, medicamentos e combustível, os apagões constantes e o colapso dos serviços públicos são consequências diretas de décadas de planejamento centralizado ineficiente, corrupção sistêmica e ausência de liberdades econômicas. A organização denunciou ainda que o regime cubano utiliza o embargo como bode expiatório para desviar a atenção dos seus próprios fracassos.

"Enquanto o governo gasta recursos com aparelho repressivo e sustentação de ditaduras aliadas, o povo cubano passa fome e foge do país em busca de liberdade e oportunidades", afirma o texto.

Crise energética e desabastecimento

A crise energética, com apagões de até 20 horas diárias, é outro ponto destacado. O OCDH lembra que a infraestrutura do país foi sucateada pela falta de investimento e manutenção, e a dependência de petróleo venezuelano expôs a fragilidade do sistema quando o aliado político também entrou em colapso. O desabastecimento de itens básicos, como remédios e alimentos, tornou-se a realidade diária da população, gerando filas intermináveis e um mercado negro dominado pelo Estado.

Êxodo de cérebros e repressão

O êxodo em massa de cubanos, que já ultrapassou as crises migratórias históricas, é citado como a prova mais contundente do fracasso do modelo comunista na ilha. Médicos, engenheiros e jovens trabalhadores estão deixando o país em números recordes. O regime, por sua vez, responde com repressão, prisão arbitrária de opositores e a criminalização do protesto.

O OCDH denuncia que o governo cubano perdeu completamente a capacidade de reter talentos e agora culpa fatores externos por um problema que é gerado por suas próprias políticas.

Repercussão e contexto

O relatório da ONU que serviu de estopim para a reação do OCDH havia destacado o impacto das sanções internacionais, mas também mencionava a necessidade de reformas internas. Para a organização de direitos humanos, o documento peca ao não atribuir ao regime a devida responsabilidade central pela tragédia humanitária.

Para analistas internacionais, o caso cubano é um alerta global sobre os perigos do autoritarismo e do fechamento econômico. Enquanto países que adotaram reformas e aberturas prosperam, Cuba se afunda em uma crise gerada por suas próprias escolhas políticas.

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