Início Brasil Motta acelera acordo Mercosul-UE em meio a tarifas dos EUA

Motta acelera acordo Mercosul-UE em meio a tarifas dos EUA

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou que a Casa vai priorizar na próxima semana a votação do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE), para criar a maior área de livre comércio do mundo, em resposta ao cenário de incertezas gerado pela possibilidade de novas tarifas impostas pelos Estados Unidos.

Em publicação nas redes sociais neste sábado (21), Motta afirmou que, diante das dúvidas sobre a política comercial americana, o Brasil precisa buscar previsibilidade nas relações econômicas internacionais. Segundo ele, a estratégia passa por avançar na ratificação do tratado com os europeus, negociado ao longo de 26 anos.

O parlamentar também informou que designou como relator o deputado Marcos Pereira (Republicanos-SP), ex-ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, que participou das etapas de construção do acordo, além de ser o presidente de seu partido.

A movimentação da Câmara ocorre em meio à crescente apreensão no governo e no setor produtivo com a possibilidade de um novo ciclo de medidas protecionistas dos EUA — o chamado “tarifaço”. A eventual elevação de tarifas sobre importações pode afetar cadeias globais e pressionar exportadores brasileiros, sobretudo em setores como aço, alumínio, agronegócio e manufaturados.

Analistas avaliam que, diante desse ambiente mais hostil ao comércio internacional, acordos bilaterais ou regionais ganham importância estratégica como forma de diversificar mercados e reduzir riscos.

Considerado um dos maiores tratados comerciais do mundo, o acordo Mercosul-UE prevê redução tarifária gradual, ampliação de acesso a mercados e regras comuns em áreas como compras governamentais e propriedade intelectual.

Para o Brasil, a entrada em vigor pode abrir oportunidades relevantes para exportações industriais e agropecuárias, além de atrair investimentos, embora o texto ainda enfrente resistências políticas e ambientais de países europeus, particularmente da França.

Ao priorizar a votação, Motta envia um sinal de alinhamento do Legislativo com a agenda do governo de inserção internacional do país e de resposta institucional às turbulências do comércio global. A escolha de Pereira como relator também indica a busca por um nome com experiência na área e trânsito político para conduzir a tramitação de um tema sensível e historicamente complexo.

Se avançar na Câmara, o acordo ainda precisará consolidar etapas de ratificação e ajustes regulatórios, além de acompanhar o desfecho das negociações complementares entre os blocos.

Enquanto isso, o debate sobre o possível endurecimento comercial dos EUA tende a permanecer no radar de Brasília, influenciando decisões estratégicas sobre política externa e comércio exterior. Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump, dos EUA, deverão se reunir em Washington no próximo mês.

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