A área de Mata Atlântica brasileira sofreu uma redução de 1% no país; já a de Cerrado mostrou acréscimo de 1,8%. A atualização foi feita nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

As mudanças nas áreas dos dois biomas brasileiros foi originada de revisão, feita pelo instituto, nos limites de Mata Atlântica e de Cerrado entre os estados de Minas Gerais e São Paulo.

Com as revisões, a área de Mata Atlântica no país sai de 1.106.846 quilômetros quadrados, resultado encontrado por meio de território mapeado em 2019, para 1.086.977 quilômetros quadrados, agora em 2025. Já a do Cerrado saltou de 1.984.554 quilômetros quadrados para 2.004.423 quilômetros quadrados, em mesmo período.

Assim, a área com alteração dos limites representou aproximadamente 19.869 quilômetros quadrados do território brasileiro, sendo 816 quilômetros quadrados em Minas Gerais e 19.053 quilômetros quadrados em São Paulo. Outros biomas não foram avaliados dessa vez, informou o instituto.

O IBGE detalhou que a revisão dos biomas contou com análise multidisciplinar de especialistas e cinco expedições de campo, entre 2022 e 2025.

Ao explicar como foram as revisões, em nota sobre o tema, os técnicos do instituto informaram que a alteração do limite se deu nas áreas de contato entre os dois biomas, a partir da avaliação de critério técnicos, e não por questões de redução ou ampliação da área devido a possíveis desmatamentos ou reflorestamentos.

“O grande diferencial desse produto é que ele já tem uma proposta totalmente integrada dos quatro temas que a gente trabalha no IBGE, que são geologia, geomorfologia, pedologia e vegetação, além de nós nos basearmos em dados climáticos também, e utilizarmos técnicas avançadas, como modelos de digitais de elevação, por exemplo”, explicou, em nota, Luciana Mara Temponi de Oliveira, chefe de setor do Meio Biótico do instituto. Bônus de até 150% no cadastro

A especialista ponderou que o trabalho veiculado nesta terça-feira foi “atualização sistemática e é uma revisão estritamente técnica”. “Percebemos que poderíamos refinar e aprimorar nosso mapeamento”, disse.

Entre as áreas citadas pela pesquisadora e alvo de revisão estão a Região das cidades de Uberaba de Franca, nos Estados de Minas Gerais e São Paulo. Nessa região, uma área que havia sido classificada como Mata Atlântica, no mapa de 2019, foi convertida para Cerrado. Análises mostraram que, no lado mineiro, o domínio florestal se restringia a áreas mais dissecadas, com predomínio geral do Cerrado, disse ela.

Outra região alvo de revisão, por parte dos especialistas, foram as localidades próximas às cidades mineiras de Belo Horizonte e de Sete Lagoas. A técnica informou que na Área de Proteção Ambiental (APA) Morro da Pedreira, próxima à Serra do Espinhaço, uma área de contato classificada anteriormente como Cerrado foi convertida para Mata Atlântica, pois as análises indicaram um caráter mais florestal. Também entre Belo Horizonte e Sete Lagoas, uma grande área de contato com maior umidade foi identificada com predomínio florestal e convertida para Mata Atlântica.

“Assim, hoje, toda a cidade de Belo Horizonte está no bioma Mata Atlântica, e esse bioma vai até as imediações de Sete Lagoas e se estende um pouco pela Serra de Santa Helena [localizada à noroeste da cidade de Sete Lagoas]”, completou.

— Foto: Leo Martins/Agência O Globo

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