Kim Jong-un foi “reeleito” neste domingo (22) secretário-geral do Partido dos Trabalhadores da Coreia durante o 9º Congresso da legenda, realizado em Pyongyang. A votação, descrita como unânime pela agência estatal KCNA, consolida ainda mais o poder do líder norte-coreano, que governa o país desde 2011.
O Congresso do Partido dos Trabalhadores da Coreia (PTC) é o órgão máximo de decisão política e reúne delegados de todas as províncias. O 9º Congresso sucede o 8º, ocorrido em janeiro de 2021, e acontece em um momento de alta tensão internacional, com a Coreia do Norte intensificando testes de mísseis e aprofundando a cooperação militar com a Rússia.
No discurso de abertura, Kim Jong-un apresentou um relatório de atividades do Comitê Central, destacando conquistas no setor econômico e de defesa. Ele mencionou o desenvolvimento de novos sistemas de armas — incluindo mísseis hipersônicos e veículos de reentrada múltipla — e afirmou que o país continuará a expandir seu arsenal nuclear como medida de autodefesa contra a “hostilidade dos Estados Unidos e seus aliados”.
O líder também abordou a recuperação econômica pós-pandemia, mencionando planos para revitalizar a agricultura, a indústria leve e a infraestrutura energética. A Coreia do Norte manteve suas fronteiras fechadas por mais de três anos devido à Covid-19, o que agravou as dificuldades alimentares e o impacto das sanções internacionais. Nos últimos meses, Pyongyang tem reaberto gradualmente o comércio com a China, seu principal parceiro.
Em relação à política externa, o Congresso reafirmou a linha de “independência e soberania”, criticando as sanções da ONU e dos Estados Unidos. Kim Jong-un declarou que a Coreia do Norte não busca guerra, mas não hesitará em usar seu poder militar se provocado. Ele também expressou apoio à Rússia na guerra contra a Ucrânia, alinhando-se cada vez mais a Moscou e enviando especialistas e munições, conforme denúncias de Seul e Washington.
A “reeleição” de Kim Jong-un como secretário-geral do partido era amplamente esperada, dado seu controle absoluto sobre o regime. A KCNA reportou que a decisão foi unânime e por aclamação, sem qualquer oposição. Além disso, o Congresso elegeu novos membros para o Politburo, o Secretariado e a Comissão Militar Central. Entre os promovidos estão jovens tecnocratas e militares leais ao líder.
Diversos analistas internacionais apontam que o 9º Congresso serve para consolidar a autoridade de Kim Jong-un e preparar o terreno para possíveis movimentos de sucessão, já que ele tem promovido sua filha, Kim Ju-ae, em aparições públicas. O evento também reforça o culto à personalidade em torno do líder, com desfiles e manifestações de apoio organizadas pelo partido.
O programa nuclear norte-coreano continua sendo o ponto central da agenda. O Congresso reafirmou a “política de força nuclear” como parte permanente da Constituição e do estatuto do partido, tornando qualquer negociação de desnuclearização ainda mais distante. Especialistas avaliam que o país pode realizar um novo teste nuclear nos próximos meses para demonstrar sua capacidade.
A comunidade internacional reagiu com ceticismo à “reeleição”. O governo dos Estados Unidos classificou a votação como “uma farsa” e prometeu manter as sanções. A China e a Rússia enviaram mensagens de congratulações. A União Europeia reiterou seu compromisso com a desnuclearização e a defesa dos direitos humanos. O Japão e a Coreia do Sul intensificaram a vigilância militar.
Na economia, o Congresso aprovou um novo plano quinquenal com metas de autossuficiência alimentar, expansão da geração de energia e modernização da indústria química. No entanto, as sanções e o isolamento limitam o acesso a tecnologias e investimentos estrangeiros. A expectativa é de que o país continue dependendo da China para suprir necessidades básicas.
Em paralelo, a Coreia do Norte tem investido no setor de turismo, com a reabertura gradual de fronteiras para russos e chineses. O governo espera que a retomada do turismo gere divisas e alivie a crise econômica. O Congresso também discutiu a expansão da produção de medicamentos e a melhoria do sistema de saúde, após os graves impactos da pandemia.
O 9º Congresso do PTC durou dois dias e contou com a presença de aproximadamente 5.000 delegados. Durante o evento, foram apresentados relatórios de todas as províncias e setores, e houve a exibição de documentários sobre as “conquistas revolucionárias”. A imprensa estatal transmitiu o evento ao vivo, mostrando cenas de delegações marchando e aplaudindo Kim Jong-un.
Apesar da fachada de unidade, há relatos de tensões internas devido às dificuldades econômicas e às duras condições de vida da população. O regime mantém o controle por meio de um aparato de segurança onipresente, e qualquer dissidência é rapidamente reprimida.
Com a “reeleição”, Kim Jong-un se consolida como o líder mais jovem entre as potências nucleares e um dos ditadores mais longevos no poder desde 2011. Resta saber como o novo mandato influenciará a dinâmica regional e os esforços de desnuclearização na península coreana.
Perguntas Frequentes
O que é o Congresso do Partido dos Trabalhadores da Coreia?
É a instância máxima do partido, que define as diretrizes políticas, analisa os relatórios do Comitê Central e elege a liderança. Tradicionalmente, ocorre em intervalos irregulares; nos anos 2000, houve edições em 2016, 2021 e 2026.
Como Kim Jong-un mantém o poder?
Kim Jong-un herdou o poder de seu pai, Kim Jong-il, e consolidou um culto à personalidade. Controla o partido, o exército e os órgãos de segurança, eliminando potenciais rivais. As “eleições” no país são simulacros com candidato único e participação forçada.
Qual a relevância do 9º Congresso?
O Congresso define as prioridades dos próximos anos: economia, defesa e relações exteriores. A reeleição de Kim Jong-un sinaliza continuidade e reforça a unidade do regime. Mudanças no alto escalão indicam renovação de quadros leais.
Há perspectivas de desnuclearização?
O governo norte-coreano rejeita negociações sob pressão e insiste no reconhecimento de seu status de potência nuclear. O Congresso reafirmou que o desenvolvimento nuclear é irreversível, o que torna um acordo de desnuclearização muito improvável no curto prazo.
O que esperar da Coreia do Norte nos próximos anos?
O país deve continuar expandindo seu arsenal nuclear, buscando alívio de sanções por meio de negociações limitadas com aliados e enfrentando dificuldades econômicas persistentes. A abertura controlada ao comércio e ao turismo com China e Rússia pode amenizar a crise, mas não resolverá o isolamento estrutural. O regime deve permanecer estável sob a liderança de Kim Jong-un.