Irã diz que jogadoras asiladas na Austrália são como “reféns”
O governo iraniano classificou como “reféns” as jogadoras de futebol que buscaram asilo na Austrália, gerando forte repercussão internacional. A declaração foi feita pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Ismail Bagaei, em entrevista coletiva nesta terça-feira.
Contexto
Nos últimos anos, atletas iranianas têm buscado asilo em países ocidentais para escapar de restrições impostas pelo regime, especialmente no esporte feminino. Em 2023, um grupo de jogadoras da seleção de futebol feminino do Irã não retornou ao país após uma competição internacional na Austrália, solicitando proteção humanitária. O governo australiano concedeu asilo com base em alegações de perseguição política e religiosa.
A decisão provocou forte reação do governo iraniano, que acusou a Austrália de interferência nos assuntos internos e de violação de acordos bilaterais. O Irã argumenta que as atletas foram “sequestradas” e que o asilo é ilegal segundo o direito internacional.
Reação do Irã
Em declaração à imprensa, o porta-voz da chancelaria iraniana, Ismail Bagaei, afirmou que as jogadoras “estão sendo mantidas contra sua vontade em solo australiano” e que o caso configura “uma tomada de reféns por parte do governo australiano”. Bagaei exigiu o retorno imediato das atletas ao Irã e ameaçou tomar medidas diplomáticas.
“A República Islâmica do Irã não tolerará que cidadãs iranianas sejam alvo de sequestro por parte de países hostis”, declarou Bagaei, segundo a agência de notícias estatal IRNA.
Reações internacionais
Organizações de direitos humanos, como a Anistia Internacional, repudiaram a fala do regime iraniano e reiteraram o direito de asilo. A Federação Internacional de Futebol (FIFA) também se manifestou, defendendo a proteção de atletas que enfrentam perseguição.
A Austrália, por sua vez, manteve sua posição de conceder asilo com base em avaliações individuais de cada caso, rejeitando as acusações iranianas. O Departamento de Assuntos Internos australiano afirmou que “cada solicitação é analisada de acordo com a legislação vigente e os compromissos internacionais”.
Pontos principais
- Um grupo de jogadoras iranianas pediu asilo na Austrália após competição internacional.
- O Irã classificou o asilo como “sequestro” e exige o retorno das atletas.
- A Austrália defende o direito de asilo com base em perseguição comprovada.
- Organizações de direitos humanos apoiam as jogadoras e criticam a retórica iraniana.
- O caso pode afetar as relações bilaterais entre Irã e Austrália.
Perguntas frequentes
Quantas jogadoras pediram asilo?
Não há números oficiais divulgados, mas estima-se que ao menos cinco atletas da seleção feminina de futebol tenham solicitado proteção.
O que a Austrália diz sobre o caso?
O governo australiano confirmou que está processando os pedidos de acordo com as leis de proteção internacional. Não comenta casos individuais por questões de privacidade.
O que acontece com as jogadoras que retornam ao Irã?
Segundo grupos de defesa dos direitos humanos, atletas que retornam podem enfrentar prisão, tortura ou restrições severas. A FIFA recomenda que não sejam forçadas a retornar a países onde correm risco.
Qual a posição da FIFA?
A FIFA declarou que respeita o direito de asilo e está monitorando a situação. A entidade reforçou o compromisso com a proteção de jogadoras em risco.
O Irã pode tomar alguma ação contra a Austrália?
O Irã ameaçou levar o caso a tribunais internacionais e pode intensificar sanções diplomáticas. No entanto, especialistas avaliam que as chances de sucesso são baixas, pois o asilo é um direito reconhecido internacionalmente.