EUA buscam mudança de regime em Cuba até o final do ano
Fontes revelaram ao The Wall Street Journal que os EUA estariam buscando pessoas ligadas à ditadura cubana que possam ajudar a fechar um acordo para uma transição política na ilha. O plano, que teria como horizonte o final deste ano, inclui a identificação de lideranças dissidentes e a oferta de incentivos para que membros do governo cubano se distanciem do regime de Miguel Díaz-Canel.
A estratégia americana para Cuba não é nova, mas ganhou contornos mais definidos nos últimos meses. Desde o reforço do embargo econômico e a redesignação de Cuba como patrocinadora do terrorismo, Washington busca isolar diplomaticamente o regime comunista. A pressão econômica, combinada com a crise humanitária na ilha — marcada por apagões, escassez de alimentos e medicamentos —, cria um terreno fértil para mudanças políticas.
A comunidade internacional observa com atenção os movimentos dos EUA. Enquanto países como Brasil e México defendem a não intervenção em assuntos internos de Cuba, setores da oposição cubana no exílio pressionam por medidas mais duras. A União Europeia, por sua vez, mantém uma posição cautelosa, buscando um diálogo construtivo com Havana.
Internamente, o regime cubano enfrenta desafios significativos. A crise econômica, agravada pela pandemia e pelas sanções, gerou um descontentamento popular crescente. As manifestações de 11 de julho de 2021 foram um sinal claro de que a insatisfação com o governo é generalizada, embora a repressão tenha conseguido conter os protestos. A diáspora cubana também desempenha um papel crucial, com milhões de cubanos vivendo no exterior e enviando remessas que sustentam a economia local.
Analistas políticos apontam que uma mudança de regime em Cuba seria um processo complexo e demorado, mesmo com a pressão dos EUA. A estrutura de poder do Partido Comunista Cubano é sólida, e não há sinais de rachas significativos na elite governante. No entanto, a combinação de pressão externa e crise interna pode abrir janelas de oportunidade para uma transição negociada.
O tema promete ser um dos pontos centrais da agenda de política externa dos EUA para a América Latina neste ano. A busca por uma saída pacífica para a crise cubana, seja por meio de negociações ou de pressão máxima, continuará a gerar debates intensos tanto em Washington quanto em Havana.