Um estudo do banco Santander que visa determinar os impactos da credibilidade do Banco Central sobre o processo de desinflação no Brasil mostra que a confiança do mercado de que a autoridade monetária busca e tem condições de alcançar a sua meta inflacionária de 3% aumentou ao longo de 2025.
O estudo, conduzido pelos economistas Marco Antonio Caruso, Adriano Valladão Ribeiro, Henrique Danyi e Matheus de Pina Chaves, utiliza um índice de credibilidade composto por três fatores: o “ ‘gap’ de inflação”, definido como o desvio absoluto das expectativas em relação à meta de inflação ao longo do tempo; a dispersão das projeções de inflação do mercado; e a velocidade da reancoragem das expectativas após um choque de preços.
Considerando um ponto neutro em zero, o índice composto de credibilidade criado pelos economistas do Santander apresentou um salto para cerca de 2 pontos em meados de 2024, indicando menor credibilidade do BC perante o mercado. Ao longo de 2025, no entanto, o índice voltou a níveis próximos de zero, o que coincidiu com uma redução do prêmio das expectativas de inflação de cinco anos do mercado.
Segundo Caruso, períodos de desvio maior das expectativas em relação à meta estão associados à maior dispersão entre as projeções dos analistas, “sinalizando perda de coordenação”; a expectativas menos inerciais, “pois as revisões se tornam maiores e mais frequentes”; e, apesar dessa maior reatividade, a reancoragem das expectativas se torna mais lenta, “já que os choques demoram mais a se dissipar”.
“É interessante citar que os dados recentes mostram, sim, uma melhora nesses indicadores de credibilidade, mas também acaba sempre ficando a advertência de que esses ganhos são condicionados à consistência da política econômica no tempo”, aponta Caruso. Segundo ele, o estudo do Santander mostra que a credibilidade do BC evolui de forma contínua e afeta de forma não linear a ancoragem da inflação à meta, e mesmo pequenas deteriorações na credibilidade podem aumentar de forma significativa o prêmio de risco da inflação.
Na prática, a perda de credibilidade da política monetária dificulta o processo de desinflação, obrigando os juros a ficarem em patamar contracionista por mais tempo para atingir o mesmo resultado. Isso, por sua vez, eleva o custo financeiro e de tempo, e, portanto, o custo social da desinflação. “Perder credibilidade é caro, e de forma não linear”, conclui Caruso.
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