As eleições legislativas deste domingo (26) na Argentina, vencidas pelo partido do presidente Javier Milei, A Liberdade Avança (LLA, na sigla em espanhol), foram as primeiras no país com um novo sistema de votação (para os argentinos): a Cédula Única de Papel (BUP).
Antes, nas eleições nacionais argentinas, cada candidato ou lista de deputados (na Argentina, as eleições legislativas têm o sistema de lista fechada) tinha uma cédula de votação individual, a chamada cédula partidária. O eleitor pegava a cédula do candidato ou lista em quem queria votar e colocava em um envelope, que era depositado na urna.
No ano passado, com críticas do peronismo, mas com apoio de vários partidos, o Congresso argentino aprovou uma mudança para implementar a BUP: uma cédula única, com os nomes de todos os candidatos ou listas, em que o eleitor deve marcar um X no escolhido – ou seja, como é feito em vários lugares pelo mundo.
No discurso após a vitória, Milei alfinetou os peronistas ao falar da BUP, ao destacar que a eleição deste domingo foi realizada “estreando um novo sistema de votação, a Cédula Única de Papel, que nunca haviam conseguido aprovar, e que contraria o incentivo dos oficialismos, porque acaba com a armadilha”.
“Nós dissemos que íamos fazer e fizemos, porque somos a favor de um sistema democrático, transparente”, disse o presidente.
Em agosto, Pilar Ramírez, deputada e presidente da bancada do LLA no Parlamento da cidade de Buenos Aires, havia destacado o uso da BUP pela primeira vez na Argentina, reiterando uma acusação que sempre foi feita contra militantes peronistas: de que roubavam das seções eleitorais as cédulas de adversários para que não estivessem disponíveis para serem inseridas nos envelopes e eles perdessem votos.
“Tchau, roubo de cédulas, tchau, fraude, tchau, gastos desnecessários”, escreveu no X. Bônus de até 150% no cadastro
Segundo informações do jornal Ámbito Financiero, um relatório da consultoria Enter Comunicación apontou que adeptos do LLA dominaram as menções sobre a eleição legislativa argentina nas redes sociais neste domingo, e os termos “BUP”, “Cédula Única de Papel” e “#BoletaÚnicaPapel” acumularam 63.250 menções ontem e mais de 103 mil ao longo da semana.
A maioria das menções elogiava a rapidez para votar e a economia com o novo sistema de votação, já que exige a impressão de bem menos cédulas.
Ao votar no domingo em La Plata, o governador da província de Buenos Aires, o peronista Axel Kicillof, criticou a BUP e citou que nas eleições provinciais bonaerenses de 7 de setembro foi usado o sistema de cédula partidária.
“A votação transcorreu normalmente, comprovando que o sistema tradicional de cédula partidária é mais barato e garante a transparência das eleições”, disse Kicillof, de acordo com informações do site Infobae.
Naquela eleição, o peronismo obteve 47,35% dos votos, contra 33,78% do LLA. Na eleição nacional deste domingo, o partido de Milei teve 40,65% e os peronistas, 33,63%.
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