Cuba e EUA estão em contato, disse um diplomata cubano à Reuters, nesta segunda-feira (2), embora tenha afirmado que as trocas ainda não evoluíram para um “diálogo” formal.
Carlos Fernández de Cossio, vice-ministro cubano das Relações Exteriores, disse à Reuters que o governo dos EUA sabia que Cuba estava “pronta a um diálogo sério, significativo e responsável”.
“Houve troca de mensagens, houve contatos de embaixadas, houve comunicações, mas não podemos dizer que tivemos uma mesa de diálogo”, disse de Cossio à Reuters, em entrevista no prédio do Ministério das Relações Exteriores em Havana.
As declarações de De Cossio nesta segunda representam o primeiro indício vindo de Cuba de que os dois lados estão em diálogo, ainda que de forma limitada, após o aumento das tensões entre os países, em janeiro, na sequência da captura, pelos EUA, do presidente venezuelano Nicolás Maduro, antigo aliado de Cuba.
O presidente Donald Trump disse no domingo (1) que os Estados Unidos iniciaram conversas com “as mais altas autoridades em Cuba”, dias depois de declarar Cuba “uma ameaça incomum e extraordinária” à segurança nacional dos EUA e ameaçar impor tarifas às exportações destinadas aos EUA de qualquer nação que envie petróleo para a ilha governada pelo regime comunista.
“Acho que vamos fechar um acordo com Cuba”, disse Trump a repórteres em sua propriedade de Mar-a-Lago, na Flórida, no domingo.
Cuba havia negado, anteriormente, qualquer conversa com os Estados Unidos.
A tensão aumentou nas últimas semanas, à medida que os EUA passaram a bloquear todo o petróleo que chega a Cuba, incluindo o da Venezuela, país aliado, elevando os preços dos alimentos e do transporte e provocando grave escassez de combustível e horas de apagões, inclusive na capital, Havana .
Trump afirmou nesta segunda-feira que o México deixaria de enviar petróleo para Cuba , intensificando sua campanha de pressão sobre a nação caribenha.
De Cossio disse que esperava que a pressão dos EUA para interromper as exportações de combustível para Cuba acabasse tendo um efeito contrário.
“Os EUA… estão tentando forçar todos os países do mundo a não fornecerem combustível a Cuba. Isso pode ser sustentado a longo prazo?”, disse de Cossio à Reuters. “Será que todos os países do mundo vão aceitar que os EUA lhes digam para quem podem exportar seus produtos?”
Os dois países vizinhos estão em conflito desde a revolução de 1959 liderada por Fidel Castro, mas, recentemente, uma grave crise econômica na ilha e a crescente pressão do governo Trump levaram o conflito a um ponto crítico.
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