Política

Collor diz a Moraes que tornozeleira foi desligada por 'incidente'

O ex-presidente Fernando Collor de Mello apresentou justificativa ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), informando que o desligamento de sua tornozeleira eletrônica ocorreu devido a um incidente técnico. A defesa de Collor protocolou a explicação formal nos autos do processo após o equipamento de monitoramento apresentar falha no último final de semana.

De acordo com a petição enviada ao STF, os advogados de Collor afirmaram que o dispositivo de rastreamento foi desativado temporariamente por conta de um problema no sistema de carregamento. Fontes próximas à defesa indicam que o aparelho teria emitido alarmes de bateria fraca antes de desligar completamente. Collor, que cumpre medidas cautelares determinadas pela Corte, afirmou que não houve tentativa de violação ou descumprimento das ordens judiciais.

O episódio gerou reação imediata da Procuradoria-Geral da República (PGR), que solicitou esclarecimentos ao STF sobre as circunstâncias da falha. A PGR pediu que o ministro Alexandre de Moraes determine uma perícia no equipamento para confirmar a versão apresentada pela defesa. A defesa do ex-presidente sustenta que a situação foi regularizada assim que a falha foi identificada e que Collor permaneceu em sua residência durante todo o período em que o monitoramento esteve inativo.

A decisão do ministro Alexandre de Moraes sobre o caso é aguardada para os próximos dias, podendo impactar as condições atuais da prisão domiciliar do ex-presidente. O caso reacende o debate sobre a eficácia do monitoramento eletrônico no sistema penal brasileiro, frequentemente alvo de críticas por problemas técnicos e falhas de fiscalização.

Collor foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro em processos relacionados à Operação Lava Jato, mas recorre em liberdade sob monitoramento eletrônico. O ex-presidente cumpre pena em regime aberto e utiliza a tornozeleira eletrônica como parte das condições impostas pela Justiça Federal. O incidente ocorre em meio às discussões sobre o aprimoramento dos mecanismos de controle e fiscalização de réus e condenados no país.