O governo chinês emitiu nesta semana um comunicado oficial orientando seus cidadãos a evitarem viagens não essenciais ao Japão. A recomendação foi publicada pelo Ministério das Relações Exteriores da China, que citou “riscos à segurança e aos interesses legítimos” dos cidadãos chineses no exterior.
A medida ocorre em um contexto de crescentes tensões diplomáticas entre Pequim e Tóquio. Um dos principais pontos de discórdia é o controverso despejo de água tratada da usina nuclear de Fukushima no Oceano Pacífico, iniciado em 2023. A China tem se oposto veementemente à iniciativa, exigindo maior transparência e a permissão para que especialistas independentes realizem inspeções.
Além da questão ambiental, as relações bilaterais também foram afetadas por disputas territoriais nas ilhas Senkaku/Diaoyu e por divergências sobre a influência regional no Sudeste Asiático.
A orientação chinesa não impede formalmente a saída de cidadãos, mas funciona como um forte alerta. Na prática, pode desencorajar viagens de turismo e negócios, impactando o setor de turismo japonês, que vinha se recuperando após a pandemia. Em 2019, cerca de 9,6 milhões de chineses visitaram o Japão, representando uma parcela significativa dos turistas estrangeiros.
O governo japonês manifestou pesar pela decisão e afirmou que continuará dialogando com as autoridades chinesas para esclarecer os fatos. O Ministério das Relações Exteriores do Japão reiterou que a água tratada de Fukushima passa por rigorosos controles de segurança e que o processo é acompanhado pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Até o momento, nenhum outro país adotou medida semelhante. Organizações de direitos humanos e ambientalistas acompanham o caso com atenção. A situação permanece em evolução, e recomenda-se que viajantes consultem as orientações oficiais antes de planejar deslocamentos internacionais.