O Centrão, bloco partidário que reúne partidos de centro e centro-direita no Congresso Nacional, sinalizou nos bastidores do Senado Federal a possibilidade de adiar a votação de temas sensíveis relacionados à dosimetria de penas e regras de transição. A estratégia, segundo articuladores políticos, visa ganhar tempo e evitar desgastes em um ano eleitoral.

A dosimetria, que trata da proporcionalidade na aplicação de sanções e ajustes jurídicos, tornou-se um dos principais pontos de atrito entre as legendas. Enquanto o governo pressiona por uma definição ainda em 2025, lideranças do Centrão avaliam que aprofundar o debate é necessário para garantir segurança jurídica.

"Não podemos votar algo tão impactante sem o devido amadurecimento. Se for para fazer bem-feito, que o debate prossiga em 2026", afirmou um senador ligado ao bloco, sob condição de anonimato.

Para analistas, o adiamento representa um risco calculado. Se por um lado alivia a pressão imediata sobre o governo, por outro insere uma incerteza no calendário do próximo ano, quando a disputa eleitoral estará em pleno vigor. A decisão final dependerá das articulações nas próximas sessões do Colégio de Líderes do Senado.