Um assessor que atuou junto à CONAFER (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais) admitiu, em depoimento obtido pelo Jornal de Meriti, que recebia uma comissão informal sobre os repasses financeiros realizados pela entidade. O termo utilizado pelo próprio assessor para definir o valor era "troco". A prática, segundo fontes ligadas à investigação, consistia na devolução de um percentual dos recursos destinados a programas e convênios.
A CONAFER é uma das principais entidades representativas da agricultura familiar no Brasil, com forte capilaridade em estados como Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro. Anualmente, a confederação movimenta milhões de reais em verbas federais para projetos de assistência técnica, extensão rural e desenvolvimento sustentável.
De acordo com as investigações, o suposto esquema funcionava há pelo menos cinco anos. O assessor, que atuava diretamente na intermediação de contratos, teria recebido valores que somam centenas de milhares de reais. A defesa do assessor alega que os pagamentos eram legítimos e correspondiam a serviços jurídicos efetivamente prestados.
O caso gerou forte repercussão política. Parlamentares da oposição protocolaram um requerimento de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a destinação dos recursos da CONAFER. Lideranças governistas também se manifestaram a favor da transparência total nas contas da entidade.
O Tribunal de Contas da União (TCU) já abriu uma auditoria específica para analisar os contratos firmados pela confederação. O Ministério Público Federal (MPF) também instaurou um procedimento preparatório para apurar as denúncias. A expectativa é de que novas testemunhas sejam ouvidas nas próximas semanas.
A CONAFER, procurada pela reportagem, informou que não comenta casos que estão sob investigação e que confia na apuração dos órgãos competentes. O Jornal de Meriti continuará acompanhando o desenrolar do caso e trará novas informações assim que elas forem divulgadas oficialmente.