Ainda raras, missas ganham espaço em universidades públicas
Apesar de ainda serem raras, as celebrações de missas dentro de universidades públicas brasileiras têm ganhado espaço nos últimos anos. Iniciativas de grupos religiosos, apoiadas por estudantes e servidores, buscam garantir o direito à liberdade religiosa no ambiente acadêmico. O fenômeno ocorre em meio a um debate sobre laicidade e acolhimento espiritual nas instituições de ensino superior.
Em universidades como a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), já existem capelanias ou espaços ecumênicos que permitem a realização de cultos e missas. Na Universidade de Brasília (UnB), estudantes organizam celebrações periódicas em auditórios cedidos pela administração. Esses casos, porém, ainda são exceção em um universo de dezenas de universidades federais e estaduais.
A Constituição Brasileira garante a liberdade religiosa e a assistência espiritual em entidades civis e militares. No entanto, a aplicação desse direito nas universidades públicas esbarra na interpretação do princípio da laicidade do Estado. Enquanto alguns defendem a neutralidade total, outros argumentam que oferecer espaços para práticas religiosas não fere a laicidade, desde que haja pluralidade e respeito a todas as crenças.
Defensores da presença de missas no campus afirmam que a assistência religiosa é uma forma de acolhimento à diversidade e de apoio à saúde mental da comunidade acadêmica. Em muitos casos, as celebrações são organizadas por grupos estudantis, como a Pastoral Universitária, e contam com a participação de alunos, professores e funcionários. Os horários são alternativos, para não interferir nas atividades acadêmicas.
Críticos, no entanto, apontam que a realização de missas em espaços públicos pode criar constrangimento para estudantes de outras religiões ou sem religião. Por isso, muitas instituições optam por criar capelanias ecumênicas ou centros inter-religiosos, onde diferentes denominações podem realizar seus cultos em igualdade de condições.
Para os organizadores, o crescimento do número de celebrações reflete uma demanda reprimida por espiritualidade no meio universitário. A tendência, segundo eles, é que mais instituições passem a oferecer espaços para a prática religiosa, respeitando o princípio da laicidade e a pluralidade de crenças. A pandemia de Covid-19 também impulsionou o tema, com grupos religiosos utilizando meios digitais para manter vínculos com estudantes.
Embora ainda sejam exceção, as missas em universidades públicas representam um movimento de valorização da fé no espaço público, gerando diálogos entre religião, laicidade e academia. O tema promete continuar em evolução à medida que a comunidade universitária busca equilibrar diversidade, direitos e acolhimento.