O político da oposição venezuelana Juan Pablo Guanipa e o advogado Perkins Rocha foram libertados da prisão, informaram suas famílias em comunicados separados neste domingo (8). As solturas estão entre as mais recentes de presos de alto perfil promovidas pelo governo em Caracas, que enfrenta pressão dos Estados Unidos para libertar detidos por motivos políticos.
Segundo a organização de direitos humanos Foro Penal, ao menos 30 presos políticos foram libertados no domingo, enquanto outros casos ainda estão sendo verificados. Desde 8 de janeiro, quando o governo anunciou uma nova rodada de solturas, a entidade já confirmou a libertação de 383 presos políticos.
Guanipa e Rocha são aliados próximos da líder da oposição María Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz. Rocha, advogado do movimento oposicionista Vento Venezuela, havia sido detido em agosto de 2024 sob acusações de terrorismo e outros crimes. Guanipa foi preso em maio do ano passado, após passar meses foragido, acusado de liderar um suposto plano terrorista. Ambos sempre negaram as acusações, diretamente ou por meio de familiares e apoiadores.
No início deste mês, a família de Guanipa informou que conseguiu visitá-lo pessoalmente pela primeira vez em meses e que ele apresentava boas condições de saúde. Já Rocha permanecia detido sem contato regular com familiares ou acesso a assistência jurídica, segundo denúncias de sua família.
“Dez meses escondido e quase nove meses detido aqui”, afirmou Guanipa após ser libertado. “Há muito o que conversar sobre o presente e o futuro da Venezuela, sempre com a verdade em primeiro plano.”
Machado celebrou as libertações em uma publicação na rede social X e voltou a pedir a libertação de todos os presos políticos no país.
Há anos, grupos de oposição e entidades de direitos humanos denunciam que o governo socialista venezuelano utiliza prisões como instrumento de repressão à dissidência. O governo nega a existência de presos políticos e afirma que os detidos cometeram crimes.
Autoridades dizem que quase 900 pessoas já foram libertadas, mas não esclareceram o cronograma das solturas e parecem incluir casos de anos anteriores. O governo também não divulgou uma lista oficial com o número total nem os nomes dos beneficiados.
Entre os libertados está Rafael Tudares, genro do ex-candidato presidencial da oposição Edmundo González. Tudares ficou preso por mais de um ano e foi condenado a 30 anos de prisão por acusações de terrorismo, que sua família nega veementemente.
Lei de anistia em análise
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou uma proposta de “lei de anistia” para centenas de presos e afirmou que o centro de detenção Helicoide, em Caracas — alvo de denúncias recorrentes de abusos — será transformado em um complexo de esportes e serviços sociais.
A proposta prevê clemência imediata para pessoas presas por participação em protestos políticos ou por críticas a figuras públicas, além da restituição de bens e da revogação de alertas da Interpol e outras medidas internacionais. O texto foi aprovado em primeira votação na Assembleia Nacional nesta semana e ainda precisa passar por uma segunda votação para entrar em vigor.
Rodríguez assumiu o cargo após a captura e deposição do líder venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos no mês passado. Desde então, as autoridades venezuelanas têm acelerado a libertação de presos políticos e atendido a exigências dos EUA relacionadas a acordos no setor petrolífero.
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