Kiev e outras regiões ucranianas sofreram um ataque aéreo russo maciço durante a noite, enquanto as negociações entre autoridades americanas, russas e ucranianas, nos Emirados Árabes Unidos, foram retomadas com o objetivo de encontrar uma solução para o fim da guerra.
As forças do Kremlin lançaram mais de 370 drones e 21 mísseis, disse o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, em publicações nas redes sociais, neste sábado (24) – veja abaixo. Kiev e a região no entorno, bem como partes das regiões de Sumy, Kharkiv e Chernihiv, no norte da Ucrânia, foram alvo de ataques, disse ele. Os cortes de energia são generalizados.
O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, denunciou os ataques como uma medida “cínica” do presidente russo, Vladimir Putin, que ocorreu no momento em que as partes se reúnem para negociações de paz. “Seus mísseis atingiram não apenas nosso povo, mas também a mesa de negociações”, disse Sybiha no X.
Pelo menos uma pessoa morreu em Kiev e quatro ficaram feridas, enquanto os escombros causaram incêndios em vários distritos e interromperam o abastecimento de água e aquecimento, disse o prefeito Vitali Klitschko em postagens no Telegram. Quase seis mil edifícios na capital ficaram sem aquecimento em meio a temperaturas abaixo de zero, em torno de -8°C.
Os ataques danificaram infraestruturas críticas, muitas das quais haviam sido recentemente reconectadas após ataques no início do mês, disse Klitschko. Mais de 800 mil consumidores em Kiev estão sem eletricidade, disse o vice-primeiro-ministro Oleksiy Kuleba.
Maternidade está entre prédios atacados
Em Kharkiv, uma maternidade, um dormitório para pessoas deslocadas, uma faculdade de medicina e edifícios residenciais estavam entre os edifícios danificados, com dezenas de feridos, disse Zelensky. Pelo menos 31 pessoas ficaram feridas, de acordo com as autoridades locais.
Quase toda a cidade de Chernihiv, no norte da Ucrânia, com uma população de cerca de 300 mil habitantes, ficou sem eletricidade, e as autoridades pediram aos residentes que armazenassem água. Cortes de energia de emergência foram impostos nas regiões de Odessa, Dnipropetrovsk e Chernivtsi, de acordo com declarações das concessionárias locais.
Kuleba disse separadamente que a UE dará à Ucrânia 447 geradores para ajudar com a energia para escolas, hospitais e abrigos. “Cada ataque russo à nossa infraestrutura energética prova que não deve haver atrasos no fornecimento de defesas aéreas”, disse Zelensky. “Não podemos fechar os olhos a esses ataques. Eles devem ser respondidos com firmeza. Contamos com a reação e a assistência de todos os nossos parceiros.”
No início da semana, Zelensky discutiu o fortalecimento das defesas aéreas da Ucrânia com o presidente dos EUA, Donald Trump, durante o encontro em Davos, e fez um ataque contundente aos aliados europeus por não se oporem a Putin. O Ministério da Defesa russo afirmou que seus ataques noturnos tiveram como alvo uma fábrica de drones de longo alcance e instalações de energia ligadas ao complexo militar-industrial da Ucrânia.
Drones atingem fábrica de chocolates de ex-presidente ucraniano
Os drones atingiram uma fábrica de chocolates e bolos da Roshen Confectionery em Kiev, pertencente ao ex-presidente ucraniano Petro Poroshenko, matando um funcionário. Separadamente, a Rússia informou que 75 drones ucranianos atacaram diversas regiões durante a noite, sem informações sobre danos. A maioria dos drones foi interceptada sobre as regiões de Rostov e Belgorod. Milhares de edifícios em Kiev e em toda a Ucrânia ficaram sem aquecimento e serviços básicos devido aos frequentes ataques aéreos russos.
A mais recente ofensiva coincidiu com as negociações trilaterais em Abu Dhabi, que começaram na sexta-feira (23) e foram retomadas em vários grupos neste sábado, segundo a agência de notícias russa TASS.
As discussões seguem meses de negociações lideradas pelos EUA em busca de um acordo de paz entre os dois lados. Autoridades americanas e ucranianas afirmaram anteriormente que fizeram progressos significativos em um plano de 20 pontos para encerrar o conflito que já dura quase quatro anos e se tornou o maior da Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
Enviados de Trump para compor negociações
Depois do encontro de Trump com Zelensky em Davos esta semana, os representantes americanos Steve Witkoff e Jared Kushner, genro de Trump, viajaram a Moscou para se encontrar com Putin antes de seguirem para Abu Dhabi. A dupla deve se encontrar em Israel no sábado com o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu. A delegação da Ucrânia nos Emirados Árabes Unidos é liderada por Rustem Umerov, secretário do Conselho de Segurança e Defesa Nacional, enquanto a equipe russa é chefiada por Igor Kostyukov, chefe do serviço de inteligência militar do país.
Kiev e Moscou permanecem em impasse em pontos-chave, incluindo as exigências de Putin para que Kiev ceda áreas das províncias orientais de Donetsk e Luhansk que ainda estão sob controle ucraniano. O Kremlin deixou claro, após conversas com representantes dos EUA, que a “questão territorial” permanece sem solução, levantando dúvidas sobre se as reuniões em Abu Dhabi trarão algum progresso. “Não há esperança de alcançar um acordo de longo prazo” até que as exigências da Rússia por território na Ucrânia sejam aceitas, disse Yuri Ushakov, assessor de política externa de Putin, em uma gravação de áudio no Telegram na manhã de sexta-feira.
A Rússia insiste em garantir o que chama de “entendimentos de Anchorage”, alcançados na cúpula de Putin com Trump em agosto, no Alasca. Isso exigiria que a Ucrânia entregasse toda a cidade de Donetsk, enquanto os combates seriam suspensos ao longo das atuais linhas de contato nas regiões sul de Kherson e Zaporizhzhia. A Ucrânia rejeita as exigências de retirar suas forças das áreas fortemente fortificadas de Donetsk que o exército de Putin não conseguiu ocupar nos combates que se arrastam desde 2014. As propostas dos EUA sugerem transformar a área desocupada em uma zona econômica livre ou desmilitarizada sob administração especial.
No final da sexta-feira, Zelensky afirmou em uma publicação no Telegram que era muito cedo para tirar conclusões das negociações em Abu Dhabi. Embora a Ucrânia queira acabar com a guerra e alcançar a segurança plena, disse ele, o progresso exigiria uma disposição semelhante por parte da Rússia.
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