O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou nesta quarta-feira (18), na rede Truth Social, que o Reino Unido está cometendo um “grande erro” ao aceitar transferir a soberania do arquipélago de Chagos às ilhas Maurício e manter apenas o direito de uso da base militar instalada na ilha de Diego Garcia – a maior do arquipélago, por meio de um acordo de longo prazo.
No texto, Trump afirmou que, caso o Irã não feche um acordo nuclear com Washington, os Estados Unidos poderão precisar utilizar a ilha de Diego Garcia para neutralizar um possível ataque de um “regime altamente instável e perigoso”.
“Arrendamentos não são bons quando se trata de países”, escreveu Trump, ao criticar o primeiro-ministro britânico Keir Starmer por validar o acordo e ceder o arquipélago às ilhas Maurício. “Não entreguem Diego Garcia”, disse o presidente americano.
A declaração ocorre em meio ao plano anunciado pelo governo britânico no ano passado para devolver a soberania do arquipélago de Chagos às Ilhas Maurício, mantendo a base de Diego Garcia sob controle militar britânico e americano por 99 anos. À época do anúncio deste acordo, o Departamento de Estado dos Estados Unidos declarou apoio à decisão de Londres de avançar com o entendimento.
A ilha de Diego Garcia é o maior território do arquipélago de Chagos, localizado no centro do Oceano Índico. O arquipélago oficialmente ainda é administrado pelo Reino Unido, que controla a região desde 1965 como parte do chamado Território Britânico do Oceano Índico.
A base militar em Diego Garcia, que atualmente abriga forças dos Estados Unidos e do Reino Unido, foi desenvolvida durante a Guerra Fria e já foi utilizada em operações como a Guerra do Golfo (1990–1991), os ataques ao Afeganistão em 2001 e a fase inicial da guerra do Iraque em 2003.
A posição estratégica da ilha permite projeção militar sobre o Oriente Médio, o Sul da Ásia e partes da África Oriental. Por isso, Trump vinculou diretamente a importância do território às negociações nucleares em curso com o Irã.
A soberania das ilhas que formam o arquipélago de Chagos é contestada há décadas. Maurício afirma que foi forçado a abrir mão do arquipélago como condição para sua independência do Reino Unido, em 1968. Entre o fim dos anos 1960 e início dos anos 1970, milhares de habitantes foram retirados de Diego Garcia para permitir a construção da base militar na ilha. Muitos foram levados para Maurício e Seychelles, enquanto outros se estabeleceram no Reino Unido.
Em 2019, a Corte Internacional de Justiça (CIJ) concluiu, em parecer consultivo, que a separação do território das ilhas Maurício foi ilegal e recomendou que o Reino Unido encerrasse sua administração sobre o arquipélago. A decisão não foi obrigatória, mas aumentou a pressão internacional sobre Londres.
Após anos de negociações e disputas diplomáticas, o governo britânico, já sob a liderança de Keir Starmer, anunciou no ano passado um acordo para transferir a soberania do arquipélago de Chagos a Maurício, preservando apenas a base de Diego Garcia sob controle militar do Reino Unido e dos Estados Unidos por meio de um contrato de uso de longo prazo.
Esta não é a primeira vez que Trump se manifesta sobre o tema. Em janeiro, ele já havia chamado a cessão do território para as ilhas Maurício de “ato de grande estupidez” e “fraqueza absoluta”, argumentando que a perda de controle sobre uma área estratégica enviaria sinal negativo a países como China e Rússia.
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