A velocidade com que as manifestações populares no Irã despertaram o interesse do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indica que o americano pode estar pensando em adotar estratégias similares a da operação realizada na Venezuela contra o país persa, avalia o colunista Ishaan Tharoor em artigo publicado no Washington Post nesta quarta-feira (14).
Para Tharoor, o aparente desfecho da operação na Venezuela, no qual Trump colabora com agentes remanescentes do regime de Nicolás Maduro enquanto marginaliza a oposição pró-democrática, deveria servir de alerta para os manifestantes iranianos.
“Existem diferenças óbvias entre as circunstâncias políticas em ambos os países, bem como a margem de manobra dos EUA em ambos os contextos, mas a ânsia de Trump em impor sua vontade no exterior — mesmo desafiando o direito internacional e os mecanismos de controle legislativo em seu próprio país — é evidente”, escreveu o colunista.
O governo Trump parece ter chegado a um acordo com a sucessora interina de Maduro, a ex-vice-presidente Delcy Rodríguez, em troca do controle dos EUA sobre as exportações de petróleo venezuelanas, explica Tharoor. Na sua visão, um cenário similar pode acontecer no Irã, com a deposição do líder supremo iraniano Ali Khamenei, mas a manutenção do seu grupo político no poder por meio de acordo políticos e econômicos com os americanos.
Isso porque, segundo analistas consultados, o regime iraniano perdeu sua legitimidade e a revolta popular exige a derrubada poder, mas o establishment teocrático e seu aparato militar permanecem muito entrincheirados no sistema para que eles sejam facilmente desalojados.
“Um acordo semelhante ao da Venezuela continua concebível: a liderança coletiva do Irã poderia marginalizar ou remover Ali Khamenei e, então, iniciar negociações com Trump, convidar as empresas petrolíferas americanas de volta ao Irã e garantir um alívio das sanções suficiente para estabilizar a economia”, disse Ali Alfoneh, pesquisador sênior do Instituto dos Estados Árabes do Golfo, ao artigo publicado.
Um possível acordo entre Irã e EUA começou a ser especulado depois que a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse nesta semana que o Irã estaria conversando com os EUA por meio de canais diplomáticos. Ainda assim, ontem, Trump descartou um eventual encontro entre as delegações dos dois países.
Ainda assim, Alan Eyre, pesquisador do Middle East Institute e ex-diplomata americano especializado no Irã, comenta no artigo que, no momento, não acredita “que regime iraniano esteja atualmente disposto a fazer as mudanças necessárias em sua estrutura de poder para induzir o presidente Trump a buscar um acordo.”
Isso poderia indicar, então, que comentários do presidente americano sobre as manifestações iranianas teriam como objetivo aumentar a pressão sobre o regime de Ali Khamenei, ao invés de iniciar um conflito mais logo, uma vez que Tharoor avalia que Trump parece “gostar de ataques militares breves e decisivos, mas estaria menos interessado em engajamentos complicados e prolongados”.
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