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Trump adverte Reino Unido sobre laços com a China enquanto Starmer celebra avanços em Pequim | Mundo

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que é perigoso para o Reino Unido fazer negócios com Pequim. A ameaça ocorre enquanto o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, elogiou nesta sexta-feira (30) os benefícios econômicos de uma redefinição das relações com a China durante visita ao país.

Enquanto líderes ocidentais lidam com a imprevisibilidade de Trump, Starmer é o mais recente a viajar à China.

Em conversas de três horas com o presidente Xi Jinping na quinta-feira, o líder britânico defendeu uma “relação mais sofisticada”, com melhor acesso a mercados, tarifas mais baixas e acordos de investimento, além de discutir futebol e Shakespeare.

Em Washington, ao responder a perguntas sobre o estreitamento dos laços entre Londres e Pequim, Trump afirmou: “Bem, isso é muito perigoso para eles”. Ele falava a jornalistas antes da estreia do filme “Melania” no Kennedy Center. Trump não deu mais detalhes.

O presidente norte-americano, que planeja viajar à China em abril, ameaçou na semana passada impor tarifas ao Canadá depois que o primeiro-ministro Mark Carney fechou acordos econômicos com Pequim durante uma visita recente.

Na noite de quinta, Trump também ameaçou em publicação na Truth Social impor ao Canadá uma tarifa de 50% sobre “toda e qualquer aeronave” vendida aos Estados Unidos.

Enquanto um porta-voz de Downing Street e o Ministério das Relações Exteriores da China não responderam imediatamente a pedidos de comentário, o ministro britânico do Comércio, Chris Bryant, disse que Trump estava “errado” ao afirmar que o Reino Unido corre perigo.

“É claro que entramos em nossa relação com a China de olhos bem abertos”, disse Bryant à BBC nesta sexta.

Por volta do horário das declarações de Trump, Starmer afirmou em um encontro do Fórum Empresarial Reino Unido–China, na capital chinesa, que suas reuniões “muito calorosas” com Xi haviam produzido “avanços reais”.

Starmer destacou acordos sobre isenção de vistos e redução de tarifas sobre o uísque como “acessos realmente importantes, simbólicos do que estamos fazendo com a relação”.

“É assim que construímos a confiança e o respeito mútuos que são tão importantes”, disse.

Antes de seguir para o centro financeiro de Xangai, Starmer se reuniu com empresários chineses, como Yin Tongyue, presidente da montadora Chery, que planeja abrir um centro de pesquisa e desenvolvimento de sua divisão de veículos comerciais na cidade inglesa de Liverpool, segundo uma autoridade local presente à visita.

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, cumprimenta o presidente chinês, Xi Jinping , antes de uma reunião bilateral em Pequim, China — Foto: Carl Court/Pool via REUTERS

Sem escolher entre EUA e China

O governo trabalhista de centro-esquerda de Starmer tem enfrentado dificuldades para cumprir promessas de impulsionar o crescimento econômico britânico desde que assumiu o poder em julho de 2024, e a melhoria das relações com a segunda maior economia do mundo tornou-se prioridade.

A visita ocorre em meio a ameaças intermitentes de Trump sobre tarifas comerciais e promessas de assumir o controle da Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, que abalaram aliados históricos dos EUA — entre eles o Reino Unido.

Falando a jornalistas a bordo do avião rumo à China, Starmer afirmou que a Grã-Bretanha pode continuar a fortalecer laços econômicos com Pequim devido à longa tradição de cooperação estreita com os Estados Unidos.

“A relação que temos com os Estados Unidos é uma das mais próximas que mantemos”, disse, citando áreas como defesa, segurança, inteligência e comércio.

Starmer afirmou que Londres não precisará escolher entre laços mais estreitos com os EUA ou com a China, lembrando a visita de Trump ao Reino Unido em setembro, quando foram anunciados 150 bilhões de libras em investimentos americanos no país.

Washington também recebeu aviso prévio sobre os objetivos da viagem de Starmer à China, disse um funcionário do governo britânico sob condição de anonimato, devido à sensibilidade do tema.

Starmer, que normalmente evita criticar Trump, tem se mostrado mais disposto a contrariar o presidente norte-americano nas últimas semanas.

Ele pediu que Trump se desculpasse por comentários “francamente lamentáveis” feitos na semana passada, quando afirmou que algumas tropas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) evitaram o combate na linha de frente, e disse que não cederá às exigências do republicano para anexar a Groenlândia.

Mercado de exportação difícil

O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, também deve visitar a China em breve, e Carney foi precedido pelo presidente francês Emmanuel Macron em dezembro, quando Xi o acompanhou em uma rara viagem fora de Pequim.

“A todos os líderes mundiais que se reúnem com Xi Jinping: a China não vende nada além de produtos baratos e amizades baratas”, afirmou o Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos EUA, controlado por republicanos, em publicação na rede X na quinta-feira.

Antes dos comentários de Trump sobre o estreitamento dos laços, o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, disse ser improvável que os esforços de Starmer com a China tragam resultados.

“Os chineses são os maiores exportadores e são muito, muito difíceis quando você tenta exportar para eles”, disse a jornalistas. “Então boa sorte se os britânicos estiverem tentando exportar para a China… é simplesmente improvável.”

Questionado se Trump ameaçaria o Reino Unido com tarifas, como fez com o Canadá, Lutnick respondeu: “A menos que o primeiro-ministro britânico confronte os Estados Unidos e diga coisas muito difíceis, duvido”.

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