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Taiwan buscará extensão de acordos de armas com EUA em meio a impasse orçamentário | Mundo

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Taiwan buscará uma extensão do prazo para a assinatura de um acordo com os Estados Unidos referente a um lote de entregas de armamentos, devido a um impasse contínuo no parlamento sobre os gastos com defesa, informou o Ministério da Defesa da ilha nesta sexta-feira. Em 2025, o presidente de Taiwan, Lai Ching-te, propôs um orçamento especial de defesa de US$ 40 bilhões para enfrentar a crescente ameaça da China, que considera a ilha como parte de seu território.

No entanto, o parlamento controlado pela oposição avançou com propostas próprias, mais baratas, que financiam apenas parte das armas dos EUA. O Ministério da Defesa de Taiwan tem pressionado a oposição para aprovar a proposta de gastos, alertando que qualquer atraso pode postergar entregas de armamentos muito necessárias, já que pedidos de outros países podem avançar na fila de produção.

O ministério afirmou ter recebido do governo dos EUA minutas das Cartas de Oferta e Aceitação (LOA, na sigla em inglês), com propostas de preços válidas até 15 de março deste ano, para mísseis antitanque TOW, mísseis antiblindagem Javelin fabricados pela Lockheed Martin e obuseiros autopropulsados M109A7.

O primeiro pagamento deve ser feito até 31 de março, mas o parlamento ainda não encaminhou a proposta de gastos com defesa do governo para análise em comissão, acrescentou o ministério. “O Ministério da Defesa Nacional buscará ativamente uma extensão junto ao lado americano para o período de validade da assinatura das LOAs, a fim de evitar que todo o processo seja cancelado por não ser assinado dentro do prazo”, afirmou.

As LOAs são o instrumento legal usado pelo governo dos EUA para vender armas a outros países.

O ministério disse ainda que já coordenou com os EUA quais armas deseja adquirir dentro dos planos de gastos, confirmando fatores-chave como disposição para vender, linhas de produção e cronogramas de entrega. O parlamento deve concluir sua revisão o mais rápido possível para que as forças armadas possam “desenvolver capacidades e se preparar para o combate, dissuadir agressões e proteger a segurança nacional”, acrescentou.

O principal partido de oposição de Taiwan, o Kuomintang (KMT), que enviou uma delegação a Pequim nesta semana, afirma apoiar os gastos com defesa, mas diz ter o dever de examinar os planos e que não assinará “cheques em branco”.

Os Estados Unidos dizem apoiar os esforços de Taiwan para aumentar os gastos, algo que o governo Trump tem solicitado a todos os aliados dos EUA. “Como o Departamento de Estado e o AIT têm declarado repetidamente de forma pública, e como deixamos claro aos interlocutores taiwaneses, acolhemos o anúncio de Taiwan de um orçamento especial de aquisição de defesa de US$ 40 bilhões”, disse um porta-voz do Departamento de Estado em comunicado à Reuters.

O Instituto Americano em Taiwan (AIT) é a embaixada de fato dos EUA, na ausência de laços diplomáticos formais.

Tensão histórica entre Taiwan e China

O acordo de armas entre taiwaneses e Washington é negociado em meio à pressão histórica da China, que considera a ilha, governada democraticamente, como seu território. Desde que ascendeu ao poder na China em 1949, o Partido Comunista da China considera a ilha como um território rebelde, mas nunca conseguiu governá-la.

Aviões e navios de guerra chineses têm circulado diariamente ao redor da ilha. Nesse cenário, a China também realizou um dos maiores exercícios militares próximos de Taiwan, em dezembro de 2025.

O governo de Taiwan mantém a posição de que a soberania do território não seja transferida para a China, afirmando que somente o povo taiwanês pode decidir o futuro da ilha.

Nesta semana, o ministro da Defesa de Taiwan, Wellington Koo, declarou que, em meio a tantas atividades militares chinesas próximas à região, há o risco de a população de Taiwan ficar insensível, mas afirmou que a ameaça é real e urgente. “Quando tais ações se repetem constantemente, tememos que isso possa facilmente insensibilizar o público. Mas, na verdade, esse tipo de ameaça inimiga existe de forma urgente e real.”, afirmou Koo.

— Foto: Vas/Unsplash

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