O secretário de Estado americano, Marco Rubio, pediu nesta quarta-feira (25) maior cooperação no combate a gangues criminosas ao se reunir com líderes do Caribe, ao mesmo tempo que crescem as preocupações regionais sobre os possíveis efeitos da pressão de Washington sobre Cuba.
O governo do presidente americano, Donald Trump, está bloqueando os envios de petróleo para Cuba, agravando a crise humanitária e aumentando a pressão sobre o antigo adversário de Washington, após a destituição do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, que era um importante aliado cubano, em janeiro.
Rubio discursou em uma reunião a portas fechadas da Caricom (grupo caribenho que reúne 15 Estados-membros e cinco membros associados), em São Cristóvão e Névis, e realizou encontros bilaterais com alguns líderes regionais.
O governo Trump está “dando prioridade ao Hemisfério Ocidental depois de [a região] ter sido amplamente ignorada por muito tempo”, disse Rubio, segundo a transcrição das declarações dele. “Estamos interessados em reconstruir e estabelecer uma nova dinâmica neste Hemisfério Ocidental, na qual façamos parceria com todos vocês nas questões que compartilhamos”, afirmou Rubio.
Rubio destacou também que os EUA e os países do Caribe precisarão cooperar mais para combater grupos criminosos internacionais envolvidos no tráfico de drogas pela região, ressaltando que essas organizações estão fortemente armadas.
“Reconhecemos que muitos desses grupos estão comprando armamentos nos Estados Unidos e estamos comprometidos e continuamos trabalhando arduamente com nossas agências de aplicação da lei para acabar com isso”, disse Rubio, acrescentando que os EUA também estão adotando uma postura rigorosa contra gangues criminosas no Haiti.
O secretário também declarou que as autoridades interinas da Venezuela realizaram mudanças significativas desde a operação dos EUA para capturar Maduro, citando a libertação de presos políticos, mas disse que “será necessária a legitimidade de eleições justas e democráticas”.
Rubio não mencionou Cuba nas declarações tornadas públicas. O presidente Trump já havia ameaçado aumentar tarifas contra qualquer nação que envie suprimentos energéticos para Cuba e instou os líderes da ilha a chegarem a um acordo para evitar o agravamento da crise humanitária.
Nesta quarta-feira, o Departamento do Tesouro dos EUA informou que permitirá a venda de petróleo venezuelano para uso em Cuba, desde que as transações não beneficiem as Forças Armadas ou o governo, em uma medida que aparenta aliviar as restrições.
O Tesouro afirmou que a decisão foi tomada “em apoio e solidariedade ao povo cubano”. Separadamente, os EUA prometeram fornecer US$ 9 milhões em ajuda humanitária aos cubanos, distribuída pela Igreja Católica.
Antes da chegada de Rubio, o primeiro-ministro da Jamaica, Andrew Holness, apelou por uma resposta coletiva da Caricom à crise em Cuba, que não é membro do grupo, mas mantém vínculos com ele. Cuba há muito tempo envia médicos e professores para trabalhar em países vizinhos.
Washington também pressiona os países a deixarem de participar do programa de médicos cubanos, que é uma fonte de divisas para o governo cubano. A ilha há muito tempo envia médicos e professores para trabalhar em países vizinhos.
“O sofrimento humanitário não beneficia ninguém. Além do nosso cuidado fraternal e solidariedade ao povo cubano, deve ficar claro que uma crise prolongada em Cuba não ficará restrita à ilha. Ela afetará a migração, a segurança e a economia em toda a bacia do Caribe”, disse Holness na terça-feira, pedindo “um diálogo construtivo entre Cuba e os Estados Unidos com o objetivo de desescalada, reforma e estabilidade”.
O primeiro-ministro de São Cristóvão e Névis, Terrance Drew, que foi o anfitrião da reunião, afirmou que a Caricom deve servir como canal de diálogo sobre o futuro de Cuba, e acrescentou que a desestabilização de Cuba prejudica todos os países do bloco.
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