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Reza Pahlavi convoca revolução no Irã e mira setor de petróleo

Reza Pahlavi, filho do último xá do Irã, aposta na asfixia econômica para derrubar o regime. Exilado nos EUA, ele convoca greves no setor de petróleo enquanto a moeda nacional perde 50% do valor em 2025.

A estratégia atrai atenção de Donald Trump, que sinalizou apoio aos protestos mas mantém cautela sobre a oposição. O cenário econômico, marcado por má gestão, sanções e gastos militares, alimenta a maior onda de manifestações desde 2022, quando protestos após a morte de Mahsa Amini mobilizaram o país.

Pahlavi defende a desobediência civil como estratégia para derrubar o regime. Em suas mensagens, convoca a população a ocupar e manter centros urbanos sob controle dos manifestantes. Ele promete retornar ao Irã quando a “revolução nacional” vencer, uma aposta na queda iminente da República Islâmica.

A estratégia de Pahlavi mira o coração da economia iraniana. Ele convocou greves nacionais em setores vitais, especialmente petróleo e gás, que respondem pela maior parte da receita do governo. Para um regime dependente da exportação de commodities, a paralisação desses setores ameaça diretamente sua capacidade de financiar a máquina repressiva.

Oposição fragmentada e resposta do regime

Mas a oposição está longe de ser unificada. Embora Pahlavi desperte nostalgia em parte da população, o Irã atual é muito diferente do país que seu pai governou até 1979. O movimento contrário ao regime carece de liderança coordenada dentro do país e se divide entre monarquistas, grupos de esquerda e minorias étnicas, uma fragmentação que facilita a repressão do governo.

O regime responde com repressão total. As autoridades cortaram o acesso à internet, mobilizaram o Exército para proteger infraestruturas estratégicas e ampliaram prisões em massa. O judiciário iraniano declarou que não poupará manifestantes, classificando-os como “vândalos” e “mercenários a serviço de potências estrangeiras”.

Custo humano e cautela internacional

O custo humano é alto. Organizações de direitos humanos estimam ao menos 50 mortos, incluindo crianças e membros das forças de segurança, além de milhares de detenções. Cidades como Teerã, Shiraz e Mashhad concentram os confrontos mais violentos entre manifestantes e as forças do regime.

A comunidade internacional observa com cautela. Donald Trump sinalizou apoio aos protestos, mas mantém distância de Pahlavi e evita comprometimento formal com a oposição. Lideranças europeias condenam a violência, mas nenhum país ocidental indica disposição para intervir. O futuro do Irã permanece incerto.

A grande incógnita é se Pahlavi conseguirá unificar uma oposição fragmentada. Sem liderança coordenada e alternativa política clara, o Irã pode trocar uma teocracia autoritária por um cenário caótico sem liderança clara. Liberdade individual e responsabilidade fiscal dependem de uma transição ordenada, objetivo que se distancia à medida que a repressão e os confrontos se intensificam.

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