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Relatório denuncia interferência crescente do crime na política

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No seu mais recente relatório sobre conflitos armados pelo mundo, o britânico Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS, na sigla em inglês), um dos think tanks mais respeitados do planeta, destacou a ameaça crescente do crime organizado na América Latina, com um agravante: como facções criminosas têm se infiltrado cada vez mais na política e nas instituições da região.

O IISS afirmou que organizações terroristas islâmicas, como Hamas, Hezbollah e os houthis do Iêmen, se diferenciavam no universo dos “grupos armados não estatais” por terem “agenda política interna, ambições geopolíticas e redes internacionais”.

Porém, segundo o think tank britânico, as facções criminosas da América Latina começam a ter cada vez mais pretensões na mesma linha.

“Nos últimos anos, […] poderosos sindicatos do crime – principalmente na América Latina, mas também em outros lugares – evoluíram progressivamente para atores quase estatais, buscando influenciar a política nacional e internacional. A politização desses grupos armados não estatais, inerentemente criminosos, é estrategicamente motivada pelo imperativo de salvaguardar seus crescentes interesses econômicos”, relatou o IISS.

O think tank afirmou que essa interferência nas instituições, em países como Colômbia e México, é mais nítida nos numerosos casos de violência política, mas também “nos esforços desses grupos para imitar funções estatais, fornecendo governança e desenvolvendo capacidades militares”.

Nesse sentido, o IISS citou o Tren de Aragua, facção da Venezuela, e o brasileiro Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações criminosas que “expandiram com sucesso seu controle territorial por meio da violência e de alianças estratégicas com atores regionais, além de se aliarem a funcionários públicos corruptos”.

“O fortalecimento das organizações criminosas neste contexto mais dinâmico – também facilitado por atores corruptos e instituições frágeis – tornou-se uma ameaça significativa para as democracias já fragilizadas e para o Estado de Direito nos níveis nacional e regional, com importantes repercussões negativas para a segurança regional e global”, alertou o IISS.

Especialista diz que PCC e CV “dominam técnicas” de infiltração no Estado

Em artigo para a revista Americas Quarterly, Will Freeman, pesquisador associado em estudos sobre a América Latina no think tank americano Conselho de Relações Exteriores (CFR), apontou que, para as facções latino-americanas, matar candidatos – como ocorreu este ano com o senador colombiano e pré-candidato presidencial Miguel Uribe Turbay, executado a mando da Segunda Marquetalia, um grupo dissidente das Farc, segundo as investigações – é apenas uma parte da estratégia de violência política.

Outras frentes incluem pressão para que candidatos desistam de disputar eleições e sabotar campanhas, como ocorreu em 2021 no estado mexicano de Sinaloa, onde dezenas de ativistas de partidos da oposição foram sequestrados.

Outras estratégias incluem financiamento de candidatos e relações de ganha-ganha com políticos corruptos.

“Antes e depois do dia da eleição, os grupos criminosos também negociam e renegociam acordos secretos com os vencedores, frequentemente por meio de demonstrações públicas de força”, afirmou Freeman.

“Quando esses acordos se concretizam, eles utilizam a administração pública como ferramenta para administrar seus negócios criminosos. Contratos públicos se tornam canais para lavagem de dinheiro do crime. Cartórios de registro de imóveis legalizam bens adquiridos ilegalmente. Por vezes, eles recrutam a polícia local”, acrescentou o analista, que enfatizou que o PCC e o Comando Vermelho (CV) hoje “dominam essas técnicas”.

“Em regiões do México, Colômbia, Brasil, Equador e América Central, o crime passou a constituir um ‘poder paralelo’ em nível local. É paralelo no sentido de que existe lado a lado com o Estado, possui suas próprias fontes de receita (ilícitas) e pode tanto conspirar, combater ou simplesmente coexistir com as autoridades locais — o que for melhor para os negócios”, disse Freeman.

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