Início Mundo Relação Moraes-Vorcaro deve ter impacto nos EUA, aponta advogado de Trump

Relação Moraes-Vorcaro deve ter impacto nos EUA, aponta advogado de Trump

As revelações recentes sobre o escândalo envolvendo o Banco Master e a relação próxima entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes podem ampliar o alcance internacional das investigações. A avaliação é do advogado Martin De Luca, representante da Rumble e da Trump Media nos Estados Unidos, em entrevista ao programa Sem Rodeios e à coluna Entrelinhas.

Segundo o jurista, o caso ganha relevância fora do Brasil sobretudo por causa das conexões financeiras e patrimoniais que Vorcaro teria estabelecido em território americano nos últimos anos.

“Quanto mais nexo o Vorcaro tiver com os Estados Unidos, mais aumenta a probabilidade de isso virar de interesse para as autoridades americanas”, afirmou. De Luca explicou que, de acordo com informações que ele acompanha, o banqueiro ampliou investimentos e aquisições no país. “Ele tem adquirido diversos imóveis e outros ativos nos Estados Unidos, talvez para uso dele, talvez para uso de terceiros”, lembrou.

Para o advogado, esse tipo de vínculo internacional pode levar órgãos americanos a observar com mais atenção os desdobramentos das investigações envolvendo o banco e seus executivos.

Possível interesse de autoridades americanas

Durante a entrevista, De Luca também comentou denúncias segundo as quais funcionários ligados a Vorcaro teriam acessado dados sigilosos de órgãos como FBI, Interpol e Polícia Federal.

Caso informações desse tipo sejam confirmadas, o tema tende a ser tratado com grande rigor pelas autoridades dos Estados Unidos, segundo o advogado. Ainda assim, ele ressaltou que o funcionamento das investigações americanas costuma ser muito diferente do modelo brasileiro.

“No sistema americano, sigilo é sigilo mesmo. Ninguém acaba sabendo que a investigação existe até que as autoridades estejam prontas para apresentar denúncias concretas”, explicou.

De Luca lembrou que atuou por seis anos como procurador em Nova York e acompanhou centenas de investigações criminais. Segundo ele, nos Estados Unidos a confidencialidade do processo investigativo é mantida de forma rigorosa, inclusive dentro das próprias instituições.

“Isso pode ser de altíssimo interesse, mas pode haver uma brecha de tempo considerável entre o surgimento das informações e alguma ação concreta das autoridades”, afirmou.

Disputa judicial nos EUA e a Convenção de Haia

Outro ponto abordado na entrevista foi o bloqueio, por autoridades brasileiras, de um pedido de notificação judicial do ministro Alexandre de Moraes feito por um tribunal federal dos Estados Unidos no âmbito de um processo envolvendo a plataforma Rumble.

Na avaliação de De Luca, a decisão contraria o espírito da Convenção de Haia, tratado internacional criado justamente para facilitar a cooperação judicial entre países.

“Nunca tivemos um juiz brasileiro antes que encaminhou ordens de censura para os Estados Unidos para tentar censurar conteúdo de usuários postado nos Estados Unidos”, reforçou.

Segundo ele, essa postura pode trazer consequências para a imagem institucional do país no exterior. “Isso vai gerar um custo reputacional que talvez fique atrapalhando a reputação do Judiciário brasileiro por décadas”, disse.

Apesar do impasse, o advogado afirma que a tentativa de impedir a notificação não interrompe o andamento do processo nos Estados Unidos.

“Na prática, isso não para o processo nos Estados Unidos”, declarou. A equipe jurídica da Rumble, segundo ele, já pediu autorização para utilizar métodos alternativos de notificação. “Pedimos à Justiça que autorize notificar Alexandre Moraes do mesmo jeito que ele notificou a Rumble: por e-mail”, explicou.

Impactos diplomáticos e debate sobre Big Techs

De Luca também foi questionado sobre possíveis reflexos do caso nas relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, especialmente diante de encontros previstos entre autoridades dos dois países.

Na avaliação do advogado, o tema pode entrar na pauta porque envolve diretamente empresas de tecnologia americanas e debates sobre liberdade de expressão nas plataformas digitais. “A proteção das plataformas americanas contra abusos regulatórios é um assunto de altíssimo interesse para o governo dos Estados Unidos”, afirmou.

Ele mencionou ainda iniciativas legislativas que buscam limitar tentativas estrangeiras de impor censura a empresas sediadas nos EUA, como o chamado Granite Act, discutido inicialmente no estado de Wyoming.

“Esses assuntos estão sendo considerados no Congresso dos Estados Unidos e têm o potencial de virar lei federal”, completou.

Relações Brasil–EUA e críticas ao governo brasileiro

Ao comentar o cenário diplomático mais amplo, De Luca afirmou que houve tentativas recentes de reduzir tensões entre Brasília e Washington. No entanto, ele criticou o que considera uma continuidade de conflitos envolvendo decisões judiciais brasileiras contra plataformas digitais. “Alexandre Moraes continua violando as próprias leis do Brasil, assim como tratados internacionais”, pontuou.

O advogado também criticou posições recentes do governo brasileiro em política externa, sugerindo que certas declarações podem gerar atritos adicionais nas relações internacionais.

Bloqueio da Rumble e resposta à Anatel

No final da entrevista, De Luca comentou o episódio em que a plataforma Rumble voltou a ficar temporariamente acessível para alguns usuários brasileiros por meio de determinadas operadoras de telefonia.

Após o fato, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) afirmou que a situação poderia representar uma tentativa de burlar decisões judiciais que determinavam o bloqueio da plataforma.

O advogado contestou a explicação técnica apresentada pelo órgão regulador.

“Quem tem expertise técnica sobre como funcionam os bloqueios e as plataformas entende que a explicação apresentada não faz sentido técnico nenhum”, opinou.

Para ele, o episódio ilustra as dificuldades técnicas e jurídicas envolvidas na tentativa de restringir o funcionamento de plataformas digitais em escala nacional, especialmente quando as empresas operam globalmente.

  • Entrevista com Ludmila Lins Grilo

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