A fatia da população com mais de 60 anos entre os clientes de planos de saúde de autogestão, modelo administrado pelo próprio contratante, atingiu 28,1% em 2025. É um incremento de cerca de 1,5 ponto percentual sobre o ano anterior, a mesma média de crescimento de períodos imediatamente anteriores.
Os dados são da Unidas, associação das operadoras de autogestão. Há no país cerca de 4,5 milhões de usuários com esse tipo de convênio médico (equivalente a 8,5% do total), em contratos com operadoras como a Cassi, dos funcionários do Banco do Brasil; Postal Saúde, dos Correios; e de entidades de classe.
“A representatividade de idosos na nossa carteira é equivalente ao cenário demográfico que teremos no país em 2030”, disse João Paulo dos Reis Neto, diretor técnico da Unidas. A taxa de sinistralidade assistencial das operadoras de autogestão gira entre 90% e 92%.
Expectativas de envelhecimento da população
Os dados da entidade são acompanhados com atenção pelo setor devido às expectativas de envelhecimento da população brasileira e seus impactos no sistema de saúde. As operadoras de autogestão têm historicamente um volume maior de clientes acima de 60 anos. É um modelo que permite a inclusão de familiares até terceiro grau e pais como dependentes.
As operadoras de autogestão não visam lucro, são ligadas às empresas que concedem o benefício aos seus funcionários ou a uma categoria, como servidores. Por isso, é comum encontrar uma oferta de serviços superior ao do mercado. Esse tipo de convênio médico representa cerca de 25% da receita dos hospitais da Anahp, associação que reúne os melhores hospitais do país.
Nas seguradoras de saúde (como Bradesco e SulAmérica), a fatia do público com mais de 60 anos é de 8,7%. Nas Unimeds e nas medicinas de grupo (Amil, Hapvida etc), o percentual gira na casa de 15%.
Segundo Reis Neto, atualmente, a maior despesa vem de atendimentos oncológicos. Esse tratamento isoladamente representa 10% do custo médico total, entre as 56 especialidades médicas cobertas pelos planos de saúde. Antes da pandemia, esse percentual ficava entre 4% e 6%. Esse salto é devido à criação de medicamentos com mais tecnologia e mudanças nas regras dos planos de saúde que passaram a permitir a inclusão de novas coberturas em menor prazo.
“Há medicamentos que custam R$ 400 mil o tratamento. No Brasil, ao contrário de outros países, o custo unitário não cai mesmo quando há um volume relevante de indicações do medicamento”, disse.
O mercado de autogestão ganhou novas regras em novembro, o que foi bem recebido pelo setor. “Acreditamos que vai ajudar muito. Estamos otimistas”, disse o diretor. A partir de 1º de julho deste ano, empresas de diferentes ramos de atividade poderão se reunir para ofertar um plano de saúde — o que era proibido antes. Hoje, cada uma dessas empresas ou entidades administra sua própria carteira, sem poder trabalhar em conjunto.
Segundo Anderson Mendes, consultor e ex-presidente da Unidas, esse era um pleito antigo do setor. “Poder unir empresas e entidade é um caminho para a sustentabilidade. Mais de 80% das autogestões têm menos de 20 mil vidas. Um sinistro elevado torna a operação inviável. Ajuda também o governo. Há muitos servidores com plano de autogestão”, disse Mendes.
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