Após manifestações de políticos de oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PT defendeu a legalidade do desfile da Acadêmicos de Niterói, que homenageou o petista no domingo (15), no Rio de Janeiro.
Em nota elaborada pelo departamento jurídico, o PT diz que o enredo apresentado pela agremiação é uma manifestação de expressão artística e cultural, assegurada pela Constituição. O partido afirma que a elaboração do desfile foi de responsabilidade da agremiação, sem participação nem financiamento do PT ou de Lula.
O samba-enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil” contou a história do petista e também fez críticas, por exemplo, aos ex-presidentes Michel Temer e Jair Bolsonaro. Lula não desfilou e assistiu ao cortejo do camarote, ao lado da primeira-dama Rosângela Janja da Silva – ela cogitou desfilar, mas desistiu.
- Janja diz que desistiu de desfilar para evitar perseguição a Lula
Após o desfile, o senador e pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que acionará a justiça contra os ataques promovidos pela escola contra seu pai. O Novo disse que pedirá a inelegibilidade de Lula. O PL disse que o desfile interfere nas eleições por usar dinheiro público para promover a imagem de Lula, pré-candidato à reeleição. A agremiação recebeu valores semelhantes aos de outras escolas.
No comunicado divulgado pelo PT, a legenda diz que a “mera exaltação de qualidade pessoais” de um agente político não configura propaganda eleitoral, segundo entendimento da sigla sobre a atual legislação. “Sobretudo quando realizada por terceiros e sem pedido explícito de voto, elemento indispensável para caracterização de irregularidade eleitoral, inexistente no caso”, diz a nota.
Na avaliação do PT, não há fundamento jurídico para se falar em inelegibilidade. “O Partido dos Trabalhadores reafirma que atua em estrita observância à legislação eleitoral, tendo orientado previamente seus filiados e apoiadores quanto às regras aplicáveis ao período de pré-campanha”, afirma o partido.
Antes mesmo do desfile na Sapucaí, parlamentares da oposição acionaram a Justiça Eleitoral para barrar o evento sob argumento de que se trataria de propaganda eleitoral antecipada. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou as solicitações por entender que não cabia uma censura prévia, mas os ministros acrescentaram que eventuais ilícitos poderiam ser analisados após o desfile.
Na tarde desta segunda-feira (16), a Acadêmicos de Niterói publicou, em perfil oficial em rede social, posicionamento sobre o desfile. A escola se declarou “perseguida”, por conta do tema do enredo escolhido e afirmou que o desfile realizado foi coerente com a identidade da agremiação.
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