O preço do petróleo disparou com a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. O conflito colocou o mercado global de petróleo tipo Brent (referência global de preço) em turbulência. A commodity chegou a subir até 13% na noite de domingo no Ocidente e já pela manhã no Oriente Médio e Ásia, para cerca de US$ 82 por barril.
O tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz – o gargalo na costa iraniana por onde passa um quinto do petróleo mundial e grandes volumes de gás – foi em grande parte interrompido, com uma pausa autoimposta por armadores e traders à medida que o conflito se espalha.
Embora autoridades iranianas tenham afirmado no domingo (1) que a via marítima estratégica permanecia aberta, também disseram ter atacado três petroleiros. O presidente americano Donald Trump, por sua vez, afirmou que forças americanas destruíram e afundaram nove embarcações navais iranianas e que as operações de combate continuarão até que todos os objetivos sejam concluídos.
Em reação à ampliação do conflito, a Opep+ concordou, em reunião previamente agendada no fim de semana, em aumentar as cotas de produção no próximo mês em 206 mil barris por dia. Já era esperado que o grupo, que inclui o Irã, além da Arábia Saudita e da Rússia, retomasse aumentos modestos antes do início das hostilidades no sábado (28).
O conflito marca uma nova e perigosa fase para o mercado global de petróleo. EUA e Israel lançaram mísseis contra alvos em todo o Irã no sábado, enquanto instavam a população local a derrubar o regime islâmico. Teerã respondeu com uma onda de ataques contra Israel, bem como contra bases americanas e outros alvos em países como Qatar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Bahrein. O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, foi morto.
“Vemos o Brent sendo negociado na faixa de US$ 80 a US$ 90 por barril em nosso cenário-base ao longo de pelo menos a próxima semana”, escreveram analistas do Citigroup Inc., incluindo Max Layton, em nota antes do início das negociações na segunda-feira (2). “Nossa visão central é que a liderança iraniana mude, ou que o regime mude o suficiente para encerrar a guerra em uma ou duas semanas, ou que os EUA decidam reduzir a escalada após uma mudança de liderança e um enfraquecimento do programa de mísseis e nuclear do Irã no mesmo período”, acrescentaram.
O petróleo já vinha em alta neste ano, registrando dois meses consecutivos de ganhos, impulsionado por tensões geopolíticas persistentes e uma série de interrupções localizadas na oferta. Os avanços ocorreram apesar das expectativas de que o mercado global enfrentaria um grande excedente, após aumentos de produção pela Opep+ e por países fora do grupo.
O salto nos custos de energia, se sustentado, pode elevar as pressões inflacionárias ao redor do mundo. Isso tende a complicar o trabalho de bancos centrais, incluindo o Federal Reserve, que buscam administrar o ritmo de alta dos preços ao mesmo tempo em que apoiam o crescimento e o emprego.
O Irã produz cerca de 3,3 milhões de barris por dia, ou 3% da produção global, mas exerce influência maior sobre o fornecimento de energia devido à sua localização estratégica ao lado do estreito. O petróleo do Golfo Pérsico precisa atravessar essa rota para chegar a grandes mercados como China, Índia e Japão.
O tráfego de petroleiros “parece significativamente interrompido, já que muitos transportadores, produtores de petróleo e seguradoras adotaram uma postura cautelosa de esperar para ver”, escreveram analistas do Goldman Sachs Group Inc., incluindo Daan Struyven. “Até onde sabemos, não há danos confirmados à produção ou à infraestrutura de exportação de petróleo.”
Antes da guerra com o Irã, o presidente Trump já vinha adotando uma política externa cada vez mais agressiva. No fim de janeiro, forças americanas invadiram a Venezuela e capturaram o ex-presidente Nicolás Maduro, com o governo passando então a afirmar controle sobre a indústria petrolífera do país.
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