InícioBrasilPartido Missão quer métodos de Moraes contra crime organizado

Partido Missão quer métodos de Moraes contra crime organizado

Publicado em

SIGA NOSSAS REDES SOCIAS

spot_img

Novidade nas eleições de 2026, o partido Missão disputará a Presidência da República no ano que vem com discursos e propostas que desagradam, ao mesmo tempo, a esquerda, o Centrão e a direita ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Pré-candidato ao Palácio do Planalto, Renan Santos, fundador do Movimento Brasil Livre (MBL) e presidente da nova agremiação, tem como plataforma de campanha três reformas que não aparecem juntas nas promessas dos concorrentes:

  • uma “guerra ao crime organizado”, com medidas drásticas contra as facções, usando os métodos do ministro Alexandre de Moraes em seus inquéritos;
  • enfrentamento à compra de votos e de bases eleitorais com dinheiro público das emendas parlamentares e dos fundos partidário e eleitoral;
  • um severo ajuste fiscal que não poupe programas sociais.

“As pessoas mais velhas vão se chocar porque é uma direita mais radical que eles conhecem”, afirma Renan Santos em entrevista à Gazeta do Povo.

Com 41 anos, ele diz que o partido Missão chega para promover uma “ruptura geracional” na política brasileira, que coloque no poder os “millenials”, geração nascida nos anos 1980. Segundo o líder do MBL, essa geração hoje se vê frustrada pelas promessas não cumpridas de um “Brasil melhor” deixadas pelos “boomers”, nascidos entre as décadas de 1940 e 1960, que viveram a ditadura militar e protagonizaram a redemocratização.

O objetivo não é apenas superar os progressistas e centristas da geração anterior, mas esvaziar, por fim, o poder de velhas oligarquias que ainda controlam e mantêm vastas regiões pobres do país dependentes do Estado.

E qual seria a diferença para a direita que emergiu nos últimos anos sob a liderança do ex-presidente Jair Bolsonaro? Segundo Renan Santos, a Missão não fará uma defesa “performática” de “Deus, pátria, família e liberdade”, elementos sempre presentes no discurso do grupo de Bolsonaro. Segundo ele, trata-se de um “conservadorismo que esses agentes políticos não praticam na vida real”. Nas palavras de Renan Santos, “um conservadorismo de goela”, propagado só para conquistar seguidores nas redes sociais.

A Missão, segundo ele, tem como inspirações leituras sobre o Brasil de Raymundo Faoro, Sérgio Buarque de Holanda, Gilberto Freyre e Darcy Ribeiro. Como inspiração, a direita “tech” americana. E como referência histórica, o movimento tenentista e a mobilização civil pela revolução constitucionalista de 1932. O objetivo passa por criar uma elite intelectual que produza ideias que adiante se irradiem na política.

“Eu quero buscar as mentes mais inteligentes, e essas pessoas vão começar a produzir ideias, vão começar a produzir cultura e aí isso vai se irradiar de cima para baixo, e aí a ação política está inclusive abaixo disso”, diz Santos. “Você tem que criar uma cena. Várias vezes o Brasil teve cenas culturais. A Tropicália foi uma cena cultural, o modernismo foi outra cena cultural. A gente tem que fomentar uma cena dentro do nosso campo”, diz o fundador do MBL.

Nesta entrevista, concedida em novembro, após o registro da Missão no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Renan Santos destrincha as ideias, influências, propostas e o funcionamento do novo partido. A conversa durou uma hora e foi realizada por videoconferência. A versão escrita, abaixo, sintetiza os principais pontos abordados.

Gazeta do Povo – O que a sigla Missão traz de diferente para a política brasileira?

Renan Santos – A grande novidade é o fato de ser um partido. Porque a maior parte das legendas não são partidos. Eles têm uma atuação baseada na reprodução de estruturas familiares de poder, de trocas de apoio e cargos. A maior parte se baseia em compra de voto e uma espécie de pirâmide, em que a base [de prefeitos] tem que ficar jogando votos para cima e a parte de cima [de deputados] joga emenda parlamentar para baixo. Ninguém tem proposta, ninguém tem agenda de Brasil, salvo alguns partidos à esquerda, como o PT, o PCdoB e até o PSOL, gostemos ou não.

Do ponto de vista programático, a Missão é um partido à direita, mas não afiliado ao conceito clichê de direita que nós temos hoje, que é “você tem que gostar do capitão Bolsonaro”, e que tem que ficar pregando aí, de uma maneira por vezes constrangedora, um conservadorismo que esses agentes políticos não praticam na vida real. Um conservadorismo de goela.

A Missão olha para o futuro, para como o futuro do Brasil pode ser melhor. Uma direita aberta ao que é novo, à tecnologia, a novas fórmulas, e definitivamente fechada para o wokismo, para as ideias estúpidas que circundam a esquerda no Brasil e também contra a forma de fazer política hoje no Brasil, que é doente.

Você tem 41 anos e está se lançando à Presidência. Por que acredita ter chegado o momento da geração nascida após 1980 assumir os rumos do país?

Nós realmente temos que fazer isso, e com um tipo de postura de ruptura. Há um senso de urgência na geração millenial [nascidos após 1980] que se viu traída, por receber um mundo pior do que aquilo que eles imaginavam, vindo especialmente da geração boomer [nascidos entre 1940 e 60]. E a geração Z [nascidos no final dos anos 90] só ficou com rescaldo, está muito pistola e também tem esse senso de urgência. As mulheres da geração Z estão muito radicais à esquerda.

Então você pega o perfil feminino votando no [Zohran] Mamdani [prefeito de Nova York, recém-empossado, jovem da esquerda radical] desesperadamente, cheia de minhoca na cabeça. E o homem da geração Z está radicalizado à direita. E essa radicalização é bem-vinda, porque ela tem a ver com senso de urgência.

O próprio nome do partido, Missão, tem a ver com esse senso de urgência. Você só está numa missão quando você sabe o que você quer fazer e você tem prazo para executar. Não existe missão sem prazo. Então essa questão da ruptura geracional é óbvia, é nítida, e parte de um diagnóstico dessas gerações mais novas também, de que tudo que acontece oriundo das gerações mais velhas sempre chega mitigado.

As pessoas querem respostas rápidas. Então, alguém da geração Z nos Estados Unidos quer rápido resolver a questão da imigração, quer rápido uma solução para isso, quer rápido resolver a questão da desindustrialização americana, que é um tema que está presente no debate deles. A nossa geração Z quer acabar com o crime organizado.

Vamos buscar a solução! Essa vontade de buscar solução, esse senso de urgência é característica dessas gerações mais novas. Isso não é acompanhado pelas mais velhas.

Como vocês pretendem fazer essa ruptura na segurança pública, um dos temas centrais nas eleições de 2026?

Queremos aplicar os princípios ligados ao direito penal do inimigo aos bandidos de facções criminosas.

[Formulada pelo jurista alemão Günther Jakobs, o direito penal do inimigo considera que determinados indivíduos são “inimigos” do Estado e não devem ter as mesmas garantias penais e processuais asseguradas aos demais cidadãos. Em vez de tratar essas pessoas como sujeitos de direito que cometeram um delito, o Estado as enxerga como fontes de perigo a serem neutralizadas.]

Desde a Constituição de 1988, a legislação e a jurisprudência têm se tornado cada vez mais garantista com os criminosos. Isso se aprofundou nos últimos anos, por exemplo, com a destruição da Lava Jato e seu modo de combater a corrupção. Como você pretende convencer a opinião pública, o Congresso, o STF…?

O que eu diria para as cortes superiores, para os doutos juristas, é que eles já implementam com muito sucesso o direito penal do inimigo no Brasil. Estão fazendo isso no inquérito do Alexandre de Moraes, sendo que o inimigo para eles é basicamente o bolsonarista, o militante do bolsonarismo. O inquérito do Alexandre de Moraes é uma versão draconiana do direito penal do inimigo. É e foi efetivo.

Se a gente vencer as eleições, nós vamos sentar com todos eles para demonstrar bem o nosso plano e como nós vamos combater o crime organizado. Até porque, se nós formos eleitos, nós seremos eleitos com essa plataforma. Então, 50% mais um da população brasileira vai ter dito: “nós queremos um presidente que faça isto”.

Nós vamos passar no Legislativo uma nova legislação, nós vamos aplicar ela e eu tenho certeza que o STF irá colaborar no combate ao crime organizado.

O que você propõe é aproveitar essa experiência do direito penal do inimigo do Alexandre de Moraes e redirecioná-la para a criminalidade organizada?

Sim. E podemos definir os alvos assim, por exemplo: membros do Comando Vermelho. Seja a parte da estrutura organizacional, a parte que comete crime, o traficante, o vendedor, o financiador. Em se provando que ele é parte daquilo, é esse cara.

E a ideia de formação de quadrilha, você consegue já, na atual legislação, com quebra de sigilos, determinar quem é ou não é membro de facção.

A questão é como punir. Para uma pessoa que está cometendo crimes recorrentemente, ignorando de maneira proposital a existência do Estado e estabelecendo o Estado paralelo, faz sentido permitir que se use o direito de maneira diferente. Dou esse exemplo da aplicação dos princípios de direito penal do inimigo, que foram muito velozes e muito rígidos com aquelas pessoas que foram presas no 8 de janeiro, porque na hora do aperto, na hora que o Estado fala “há um inimigo que está gerando um risco muito grande”, você se vale disso.

Mesmo quem apoia Alexandre de Moraes no enfrentamento a Bolsonaro ressalva que há medidas abusivas. No combate ao crime organizado, a aplicação dessa lógica não poderia atingir inocentes? Não há um risco de criminalizar a favela inteira?

Não, porque no caso de Alexandre de Moraes, foi ele mesmo a fonte do poder. Ninguém sabe qual foi a legislação que ele usou para estabelecer um novo Código de Processo Penal dele, enquanto a gente está falando em fazer alterações na lei do ponto de vista objetivo. Então a gente teria critérios objetivos para que um Ministério Público no estado do Rio de Janeiro pudesse atuar. Com leis muito claras.

Aí sim o aparato persecutório do Estado poderia atuar, e obviamente prevendo que erros dessa natureza não podem acontecer. Os princípios de velocidade e alta punibilidade já estão sendo utilizados, mas o problema é que estão sendo usados de maneira “criativa”, para dizer o mínimo.

Você é um duro crítico do poder do Centrão no país. Como vocês pretendem lidar com um Congresso que provavelmente ainda será dominado por esse grupo?

O Centrão é como se fosse um usuário de crack. Por mais que ele pareça muito poderoso, ele está viciado numa coisa chamada emenda parlamentar, e vai precisar mexer na emenda no Orçamento. Eles sabem disso. Os critérios para a existência da emenda vão ser determinados por uma nova PEC. Eles vão ter que sentar e discutir, porque às vezes vão-se os anéis e ficam os dedos. Às vezes é melhor reduzirem um pouco a margem maluca de manobra orçamentária que eles têm do que perder tudo.

Nós vamos criar instrumentos que mobilizem esse tipo de gente a se comportar de maneira republicana, para colocar o mínimo. E vamos aí andar com uma reforma administrativa, que mudaria a dinâmica de administração das cidades no Brasil. O grande problema nosso é que o cara do Centrão existe porque as cidades são pobres e, com o eleitor pobre, há a compra de voto e há esse tipo de voto fisiológico, do mais baixo que tem.

O dinheiro do fundo partidário, o dinheiro do fundo eleitoral e a qualificação para receber emendas devem ser condicionados ao desempenho de um prefeito, ao desempenho do governador. Um prefeito de um determinado partido só pode receber emenda se o município dele tiver melhorando seus índices de educação, saúde, segurança. E a mesma coisa com os governadores estaduais.

E mais: o partido vai receber fundo eleitoral e partidário proporcionalmente ao número de pontos que seus eleitos recebem. A gente tem que montar um regramento por tamanho de município e impacto, com critérios objetivos. E não mais receberá fundo partidário e eleitoral de forma proporcional ao número de votos que o deputado tem.

De acordo com a lógica do número de votos que o deputado tem, a emenda do deputado serve para ser desviada, comprar voto de outras pessoas e patrocinar festivais, eventos, obras toscas que ganham a opinião pública de pessoas muito humildes que votam nele de volta. Esse ciclo do Centrão precisa ser interrompido.

Nós vamos fazer campanha falando disso e o Centrão vai ter que se adequar a isso, porque eu não estou falando que aqueles políticos vão desaparecer, eles só vão mudar o sistema de incentivos dele.

Se você é um político do interior do Nordeste, em vez de focar tanto em comprar voto fazendo show [de artistas nacionais], você vai focar em eleger prefeitos nas tuas cidades que tenham bons indicadores, com melhor educação e saúde. E não vai ser o eleitor que vai avaliar, porque na prática o eleitor não tem condição de avaliar, é ignorante nesses termos. Ele quer ver o show, ele não quer aumento da cobertura de esgoto na cidade dele. E ainda vai vender o voto.

Na economia, qual o projeto da Missão?

A grande agenda que a gente vai tocar, paralela à guerra ao crime organizado, será um ajuste fiscal muito duro, porque o Brasil vai quebrar a partir de 2027. Todo mundo sabe, as contas públicas vão estourar, há análise da consultoria da Câmara, do próprio Ministério da Fazenda e a galera de mercado toda sabe disso. Nós vamos passar uma super reforma.

Se nós fizermos a destruição do crime organizado, se nós resolvermos as contas públicas, para o Brasil voltar a ser competitivo e aumentar a capacidade de investimento, e se nós fizermos essa reforma administrativa, todo o resto será consequência.

Essas são as três grandes reformas estruturantes para a gente começar a resolver o Brasil. E isso a gente precisa fazer de maneira desesperada. Com isso aqui a gente começa a andar com os outros problemas do Brasil. O resto vem atrás e o resto é maravilhoso. Tem muita ideia boa. Mas se não tocar isso, já era.

Como você pretende convencer o eleitor pobre a votar na Missão e a apoiar um ajuste fiscal que, para ser efetivo, segundo os economistas liberais, terá de desvincular benefícios sociais e previdenciários do salário mínimo?

Ele já não vai votar na gente e já não votou mesmo. Você não perde o que nunca teria. É possível ganhar a eleição sem precisar desses votos. E na prática o PT estabeleceu uma dominância sobre esse eleitor, junto com o sistema de compra de votos, de modo que não será agora que isso vai virar. Agora você pode virar franjas disso.

Por exemplo, no Nordeste, as regiões metropolitanas vão votando cada vez menos na esquerda, porque existe, por exemplo, a presença de uma economia ativa. Onde há um setor privado funcionando minimamente, uma cidade que tem um pequeno comércio, as pessoas que trabalham naquele comércio tendem a votar não mais com a mesma intensidade no cara do Centrão ou na esquerda, porque o dinheiro dele não depende do intermediário do Estado ou do próprio Estado.

Esse cara cada vez mais, pouco a pouco, ele está indo à direita. A gente está vendo isso acontecer no Nordeste. Nós vamos buscar esse cara. E soa contraintuitivo, porque para muita gente o Nordeste é um bloco, mas não é um bloco. Quem não gosta do cara que vive encostado no assistencialismo está procurando alguém que fale exatamente isso.

E esse cara vai se fixar muito mais em nós que estamos falando esse discurso e não nas pessoas que falam do “povo guerreiro do Bolsa Família”. Não é povo guerreiro não. Com todo respeito, está vivendo de assistencialismo por 10, 15 anos e não está trabalhando… Desculpe, você vai ter que trabalhar.

Porque virou um instrumento que pesa fiscalmente para o resto do Brasil e fica votando nas mesmas porcarias que obrigam o resto do Brasil a ficar nessa mesma penúria. Eu não estou querendo teu voto e vou falar isso inclusive em cadeia nacional.

“Ah, mas e essa mãe guerreira de oito filhos que está há 20 anos no Bolsa Família?”. Desculpa, moça, a solução não está com você não. Agora tenho certeza que tem alguém na sua cidade, moça do Bolsa Família, que quer trabalhar, que quer viver e vê que você é um problema para ele. Eu quero o voto desse cara. No fundo, é o que está no coração de todo mundo que trabalha. Só que todos os caras da direita têm medo.

Eles fiquem com os medos deles. A gente vai falar isso. E assim, e a gente sabe que um pedaço do Brasil, 40% é um misto de esquerda e dependentes disso aí, não vai votar e tudo bem, não vote. A gente não precisa agradar a todos.

A Missão surge denominando-se de direita, campo que hoje é dominado por Bolsonaro e seu grupo político, com um discurso de defesa da pátria, da família, da liberdade e de Deus. Vocês também defendem essas bandeiras? Se sim, como se distinguem do movimento de Bolsonaro?

O bolsonarismo faz uma defesa performática de valores conservadores para as redes sociais. O bolsonarismo acima de tudo é um movimento de redes sociais. Então, é sempre uma religiosidade performática, um cristianismo performático na maior parte dos seus líderes. Há também uma defesa performática da família.

A parte que envolve pátria ficou um tanto quanto prejudicada com as atuações recentes do senhor Eduardo Bolsonaro e aquela bandeira dos EUA na Paulista. Ficou uma situação bem complicada de fazer defesa disso. Só reforça a ideia de que tudo isso é muito performático.

Na liberdade, eles começaram a fazer um uso instrumental do tema, porque eu fui vítima pessoal de uma perseguição judicial de aliados deles.

Mas o que, para a Missão, é a defesa legítima e genuína desses elementos: Deus, pátria, família e liberdade?

Na parte religiosa é: você pode expressar suas ideias religiosas dentro do nosso grupo de maneira honesta, desde que seja legítimo e desde que seja verdadeiro. Se sua religião não é natural, não faça, porque é ridículo, é fingimento e nós não queremos fingidores. Não vire um personagem.

Pátria. Nós somos um grupo nacionalista. O Livro Amarelo, fascículo 4, que trata de política externa e do papel Brasil com relação ao mundo, chama “Brasil Poderoso”. E fala sobre como o Brasil tem que resolver sua segurança alimentar, sua segurança energética, sua segurança militar. Um país soberano tem essas três coisas, tem que ser autossuficiente nessas três coisas.

E aí depois que ele resolve suas questões fiscais e suas questões de controle do próprio território, para exercer papel geopolítico na América do Sul e nos países de língua lusófona. Ele vai mudar a correlação de forças de modo a ter relações melhores com as duas potências hegemônicas, que serão China e Estados Unidos. Nós temos que nos posicionar melhor com eles.

Hoje com os Estados Unidos a gente só toma uma pancada, a gente é um parceiro terciário. E com a China a gente está numa relação viciada, em que a gente exporta e precisa dos dólares dessa exportação, mas a gente importa os produtos industrializados deles. Nós não temos mais indústria, perdemos complexidade econômica e a China quer isso aí.

Somos um grupo nacionalista e falamos inclusive de armamento nuclear. Só com arma nuclear você passa ser respeitado no jogo e o mundo vai ficar muito complicado nos próximos anos.

A parte família. Uma coisa central: só com a ideia de sustentar a família como o núcleo central da civilidade, nós vamos resolver no longo prazo a questão da criminalidade e a formação de capital humano. Tem estatísticas muito boas que dizem que rapazes e moças filhos de mães solteiras têm desempenho escolar inferior.

Há um déficit civilizacional, social, cultural e econômico, em última instância, com a inexistência de famílias. Haverá uma política muito clara de promoção da ideia da família nuclear. Isso vai ser base num governo nosso, porque isso é a melhor política social que tem. São apenas políticas públicas baseadas em evidências.

Na questão das liberdades em geral, especialmente liberdade de expressão, nós somos o grupo que mais se opôs ao PL 2630 [de regulação das redes sociais, aos moldes do que defende o STF], especialmente em 2023. A gente organizou as grandes campanhas de redes sociais para barrar. Nunca andou na Câmara por causa da gente.

Pretendemos fazer um estatuto da liberdade de expressão, para resolver essa questão das redes sociais especificamente.

Haveria limites à liberdade de expressão?

Eu não sou um defensor da liberdade de expressão absoluta. Para começar, porque todo mundo sabe que qualquer pai de família não defende, por exemplo, conteúdo sexual para criança. Então temos os nossos limites. Um dos limites que nós teremos e nós já defendemos é não vai haver artista defendendo aquelas quadrilhas que estão circunscritas como inimigas. Então, o cara tem uma boa música para promover o Comando Vermelho. Vai promover na cadeia o Comando Vermelho… quer dizer, nem na cadeia vai promover.

O período que nós colocarmos como de guerra contra o crime organizado, você não vai promover o Comando Vermelho. Você não imagina que nesse instante vai estar rolando em Tel Aviv um grande concerto pró-Hamas. Você não imagina que na Segunda Guerra Mundial, você iria fazer na França invadida grandes shows pró-Hitler. Então, não é aceitável propaganda do seu inimigo no momento que você está em guerra contra ele. Então, nesse período de guerra, não vai ter propaganda para Comando Vermelho, para PCC.

O inimigo ele tem que ser destruído. Depois que foi destruído, aí faz igual os Estados Unidos. Não tem filmes de máfia, de gângster, de bandido no faroeste? Aí é liberdade de expressão plena. Agora numa guerra não tem, porque a propaganda é parte da guerra. Você não pode ser vítima de um ataque de propaganda do inimigo e você não pode fazer propaganda dele. Propaganda é arma de guerra, todo mundo sabe, é o básico. Então nós estamos sofrendo propaganda do nosso inimigo e essa propaganda tem que ser cessada.

Mais um limite: nós vamos acabar com o financiamento de ONGs que operam junto com o crime organizado. Isso vai ser suspenso no governo e vai haver CPI, e os representantes dessas instituições vão ser expulsos do Brasil, como aconteceu na Hungria e como eu espero que aconteça ano que vem nos Estados Unidos.

“Mas e a liberdade de expressão?” Não tem livre mercado de ideias quando um lado recebe centenas de milhões de dólares para defender ideias antinaturais no seu país e que geram crise política, econômica e social. Então, nós vamos cortar isso também. Se a direita reclamar, eu vou falar que direita suicida. Mas enfim, é a nossa posição.

Estou certo em supor que vocês têm como referência, política e eleitoral, Nayib Bukele no combate ao crime, e Javier Milei, em relação à economia?

Pode. E tem que entender se nós dermos certo, as pessoas vão se inspirar em três, o nosso, o Bukele e o Milei. Porque há um terceiro elemento que a gente quer incluir aí entre líderes latino-americanos, que traz a destruição das oligarquias locais, que é outro problema que eles também vão ter que passar.

O Bukele através da centralização resolveu. O Milei tem menos, porque a Argentina tem um perfil de colonização, e de imigração diferente. Agora, Colômbia, Venezuela, Bolívia, Peru, Brasil, México, nós temos um perfil. E é o terceiro problema que a gente quer resolver com a nossa reforma administrativa.

Como vocês veem o presidente dos EUA, Donald Trump, hoje?

A gente já foi muito crítico ao Donald Trump. Estive nos Estados Unidos e conversei com elementos da direita, conheci membros do governo Trump, muito jovens, e há uma generosidade da parte do Trump em fazer a sucessão.

O governo dele vem sendo celeiro para novas lideranças aparecerem. A própria vice-presidência do JD Vance vai nessa linha e a direita, e essa novíssima direita, que eu creio que nós fazemos parte, já está tendo acesso a esse governo e está podendo construir coisas novas lá. Então eu vejo com empolgação genuína muitas das ações que vêm sendo tomadas ali, especialmente ações internas.

E parece um governo, a gente vai saber nos próximos meses, que vai começar a endereçar a questão da imigração, que é o tema principal deles e que nunca nem o próprio Donald Trump andou de maneira séria. Veremos. Acho que aí está o desafio para fazer a sua real avaliação do desempenho do Trump.

Por que você, Renan Santos, quer ser presidente da República?

Porque tem um senso de missão e nós precisamos levar à frente esse projeto, e porque o nosso projeto é claramente o melhor projeto. Acho a única pré-candidatura que vem falando num projeto curioso, interessante, que vale a pena discutir proposta. Nesta entrevista, a gente basicamente discutiu proposta, é porque nós realmente temos uma ideia do que fazer quando chegarmos lá.

E eu fui o cara que liderou a criação desse ambiente, que permitiu que essas propostas surgissem. Então eu tenho qualidades que as próprias pessoas do meu grupo consideram necessárias para fazer isso e que meus adversários não têm. Meus adversários terão grandes problemas em nos enfrentar, porque nós sabemos onde nós chegar.

@jornaldemeriti – Aqui você fica por dentro de tudo.
Fala com a gente no WhatsApp: (21) 97914-2431

Artigos mais recentes

CFM informa a Moraes que não teve intenção de interferir na PF

O Conselho Federal de Medicina (CFM) enviou nesta sexta-feira (9) um ofício ao ministro...

Estados Unidos pode suspender mais sanções à Venezuela na próxima semana | Mundo

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, disse à Reuters...

Nobel nega possibilidade de entrega do Prêmio da Paz a Trump

O Instituto Nobel da Noruega afirmou que não pode repassar, dividir nem retirar o...

Lewandowski ataca os discursos contra o crime

Pouco antes de deixar o Ministério da Justiça, Ricardo Lewandowski optou por um recado...

MAIS NOTÍCAS

CFM informa a Moraes que não teve intenção de interferir na PF

O Conselho Federal de Medicina (CFM) enviou nesta sexta-feira (9) um ofício ao ministro...

Estados Unidos pode suspender mais sanções à Venezuela na próxima semana | Mundo

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, disse à Reuters...

Nobel nega possibilidade de entrega do Prêmio da Paz a Trump

O Instituto Nobel da Noruega afirmou que não pode repassar, dividir nem retirar o...