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Outros países começam suas próprias guerras tarifárias

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Desde que retornou à Casa Branca, há um ano e uma semana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aplicou tarifas contra praticamente todos os outros países e territórios do mundo.

Inspirados por esta política, outros governos nacionais estão começando suas guerras tarifárias contra outras nações.

Na quarta-feira passada (21), o presidente do Equador, Daniel Noboa, anunciou uma tarifa de 30% nas importações de produtos da Colômbia, alegando falta de cooperação nas ações contra o narcotráfico.

O governo Gustavo Petro respondeu com uma suspensão da venda de energia elétrica ao Equador e uma tarifa, da mesma porcentagem imposta por Noboa, sobre mais de 50 produtos equatorianos.

Também na semana passada, o governo da Índia elevou de 10% para 20% a taxa básica de alfândega para a importação de telas planas.

A gestão do primeiro-ministro Narendra Modi afirmou que tal medida integra o programa “Make in India” (“Fazer na Índia”), criado em 2014 com o objetivo de incentivar empresas a desenvolver e fabricar produtos na Índia.

Antes disso, na virada do ano, o México implementou tarifas de 5% a 50% nas importações de 1.463 linhas de produtos de países com os quais não tem acordo comercial, entre eles, China, Rússia e Brasil.

Um dos principais alvos da guerra tarifária de Trump, a China foi outro país que resolveu mostrar suas armas nessa área.

Também na virada do ano, implementou uma tarifa de 55% sobre as importações de carne bovina que excederem os novos limites de cotas.

Em dezembro, Pequim já havia anunciado tarifas de até 42,7% sobre produtos lácteos da União Europeia, alegando subsídios injustos, mas também retaliando o bloco por sobretaxas de até 45,3% sobre veículos elétricos fabricados na China.

Nesta terça-feira (27), a agência Bloomberg noticiou que a África do Sul está estudando impor tarifas de até 50% sobre veículos da China e da Índia, seus parceiros nos Brics, para proteger sua indústria automotiva.

Em entrevista à Gazeta do Povo, Josilmar Cordenonssi, professor de ciências econômicas da Universidade Presbiteriana Mackenzie, disse que o caso do México tem relação direta com o tarifaço de Trump, porque Washington está pressionando o país vizinho “a impor tarifas iguais às que os Estados Unidos estão impondo aos seus parceiros comerciais, de modo que o México não se beneficie ao importar produtos mais baratos que os Estados Unidos e reexportar para os Estados Unidos”.

Já no caso da briga Colômbia-Equador, o especialista afirmou que acredita que uma disputa ideológica (Noboa é de direita, e Petro, de esquerda) pode estar por trás das taxas impostas na semana passada, ainda mais com a eleição presidencial colombiana no radar (o primeiro turno será em 31 de maio), mas que “essas tarifas podem ser renegociadas ou revogadas rapidamente”.

Em geral, entretanto, Cordenonssi afirmou que as tarifas que estão sendo anunciadas refletem um cenário em que a Organização Mundial do Comércio (OMC) “praticamente não existe mais, não existe mais lei de comércio internacional, regras, princípios”.

“A gente está vivendo um momento bastante preocupante, de diminuição do livre comércio, aumento do protecionismo e tendência de recuo do dinamismo no mercado internacional”, alertou o analista.

Nesse sentido, Cordenonssi afirmou que potências médias, como o Brasil, têm mais a ganhar ao buscar uma revitalização da OMC e negociar acordos comerciais fora do eixo China-EUA, como os pactos União Europeia-Mercosul e Japão-Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), sem cair na armadilha de aderir à guerra tarifária e ao protecionismo.

“Esse é o caminho que tem que seguir. Agora, pode ter países que vão cair na tentação populista de se fechar, ter ganhos políticos de curto prazo, mas [devem] perder a corrida no médio e longo prazo. Você ter uma população e uma economia mais fechadas significa que elas vão ser menos produtivas e mais pobres”, ponderou.

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