Em seus últimos — e poucos — comentários públicos no ano passado, Warsh se mostrou favorável a taxas de juros mais baixas nos Estados Unidos, assim como o presidente Donald Trump tem defendido. “Se o Fed fosse um banco central realmente crível, poderia dizer: vamos ignorar esse aumento pontual de preços”, disse Warsh em agosto. “A hesitação em cortar juros, para mim, é um sinal claro de fraqueza.”
Mesmo com sua indicação por defender uma política monetária mais flexível neste momento, o posicionamento histórico de Warsh é visto pelo mercado como mais “hawkish”, dado que, enquanto foi diretor do Fed, entre 2011 e 2016, ele defendeu uma política mais conservadora, especialmente em relação ao balanço de ativos do banco central.
Warsh tem adotado uma visão crítica sobre a política de compra de ativos do Fed, razão pela qual saiu da autoridade monetária em 2011. O ex-diretor tem sido vocal ao defender uma redução do balanço de ativos e chegou a afirmar, no ano passado, que um grande balanço patrimonial seria um impositivo de reduzir a taxa de juros. “Se a impressora de dinheiro pudesse ser silenciada, poderíamos ter taxas de juros mais baixas”, disse.
Durante evento do Valor em maio de 2024, Warsh defendeu maior harmonia entre a política fiscal e a monetária, além de ter dito que as duas deveriam ser mais responsáveis. “Os EUA também podem fazer um trabalho melhor na liderança da política monetária. Inflação não se deve a pandemias, cadeias de suprimentos ou guerras. A inflação é sobre a política do banco central”, disse Warsh.
“Os EUA têm uma obrigação especial de ter uma política fiscal responsável e uma política monetária responsável, e devo acrescentar que é difícil ter uma política monetária responsável se a política fiscal parecer irresponsável e vice-versa”, complementou o ex-dirigente do Fed no evento. Vale lembrar que, nessa época, Trump ainda não havia sido eleito.
Warsh foi mais econômico em declarações recentes ao falar sobre a independência do banco central americano, mas, em declarações dadas em agosto, o ex-diretor do Fed defendeu a necessidade de autonomia e a classificou como “essencial”. Ele, contudo, também afirmou que ela é limitada. “A história nos mostra que a independência na condução da política monetária é essencial”, disse. “Mas isso não significa que o Fed seja independente em tudo o que faz”, acrescentou.
Warsh se limitou a falar sobre os efeitos da gestão de Powell no banco central americano. O agora indicado a ser chair do Fed já disse que o banco central “perdeu o controle da narrativa inflacionária”, que políticas emergenciais “viraram rotina” e que o Fed passou a “reagir mais aos mercados do que à economia”.
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