Este mês é marcado pelo Janeiro Branco, iniciativa que tem o objetivo de promover a saúde mental e incentivar reflexões sobre bem-estar emocional no Brasil. Em 2026, a campanha adotará o lema “Paz. Equilíbrio. Saúde Mental.” e terá o post-it como símbolo do movimento.
A campanha foi transformada em Lei Federal em 2023 e estabelece que “nos meses de janeiro serão realizadas campanhas nacionais de conscientização da população sobre a saúde mental, que abordarão a promoção de hábitos e ambientes saudáveis e a prevenção de doenças psiquiátricas, com enfoque especial à prevenção da dependência química e do suicídio”.
O Janeiro Branco foi criado em 2014 pelo psicólogo Leonardo Abrahão, em Uberlândia (MG). De acordo com o idealizador, a iniciativa nasceu com o propósito de sensibilizar a população sobre o cuidado emocional e incentivar a busca por apoio psicológico quando necessário.
Segundo o Instituto de Desenvolvimento Humano Janeiro Branco (IDHJB), organização responsável atualmente pela coordenação nacional da campanha, o movimento se consolidou ao longo dos anos com apoio de profissionais, instituições públicas e privadas e cidadãos que participam de ações educativas durante o mês de janeiro.
De acordo com Abrahão, a escolha de janeiro está relacionada ao simbolismo do recomeço, que favorece reflexões sobre a própria história e as emoções de cada pessoa.
Ele também afirma que, na visão dele, a campanha existe para reforçar que o cuidado com a mente não deve ser tratado como alternativa, mas como condição essencial para uma sociedade que consiga promover equilíbrio e relações mais responsáveis.
“A Campanha Janeiro Branco existe justamente para nos lembrar que cuidar da mente não é uma alternativa, é o caminho para uma sociedade mais justa, equilibrada e verdadeiramente humana”, afirma Abrahão.
O lema “Paz. Equilíbrio. Saúde Mental.”
Para janeiro deste ano, o IDHJB adotou o lema “Paz. Equilíbrio. Saúde Mental.”. De acordo com o psicólogo idealizador, a escolha desse lema vem em meio a uma tendência que o mundo vive de “excesso de estímulos, conflitos, ruídos, demandas e instabilidades que exaurem a capacidade humana de respirar e existir com inteireza.”
Diante disso, o tema serve como um convite para desacelerar, reorganizar prioridades e reconhecer que a busca por paz tem dimensão política, emocional e cultural, segundo Abrahão.
“Falar de paz e de equilíbrio, hoje, é afirmar que ninguém merece viver em permanente estado de alerta; é reivindicar condições de vida que permitam que cada pessoa possa florescer sem precisar adoecer no caminho.”
A identidade visual deste ano utiliza o post-it como símbolo nacional. Segundo Abrahão, o uso do objeto foi escolhido devido ao seu significado cultural. Ele afirma que o post-it é tradicionalmente associado à pressa, à cobrança e aos lembretes de prazos, mas que a campanha pretende ressignificá-lo ao propor que o material se transforme em espaço de pausa, reflexão e cuidado.
2025 mostrou que a saúde mental segue presente no Brasil
A pesquisa Ipsos Health Service Report 2025, divulgada no ano passado, indicou que 52% dos brasileiros consideram a saúde mental o principal problema de saúde do país. Segundo a empresa, o índice supera temas como câncer, que registrou 37% de menções. A Ipsos afirmou também que o resultado representa aumento em relação a 2018, quando 18% dos entrevistados tinham essa percepção sobre saúde mental.
Com esse percentual, a Ipsos colocou o Brasil como o décimo país com maior preocupação com o tema entre os 30 avaliados. O Chile liderou o ranking, com 68% da população preocupada com o tema. A pesquisa ouviu 23.172 adultos em 30 países e aproximadamente mil brasileiros, com margem de erro de 3,5 pontos percentuais.
Em um outro levantamento, divulgado pela empresa brasileira de cartões de benefícios VR em outubro, mostrou aumento nas médias mensais de afastamentos do trabalho por problemas de saúde mental entre janeiro e agosto de 2025, em comparação com igual período do ano anterior. De acordo com os dados, foram 5.355 afastamentos ao longo de 2025, dentro de um universo de 1,2 milhão de trabalhadores de 30 mil empresas.
De acordo com os dados, foram 5.355 afastamentos no período do ano passado, o que representa média de 669 por mês ante 283 mensais em 2024. O estudo ouviu 1,2 milhão de trabalhadores de 30 mil empresas no Brasil.
Em outro estudo divulgado no ano passado (Panorama do Bem-Estar Corporativo 2026, da plataforma Wellhub), indicou que 86% dos brasileiros entrevistados relataram ter experimentado sintomas da Síndrome de Burnout, que é um distúrbio emocional, ao longo de 2025. O estudo ouviu mais de 5 mil trabalhadores de dez países, em que 500 a 505 respostas foram coletadas no Brasil.
Nesse cenário, Abrahão afirma que o país vive um momento que ele classifica como paradoxal, em que o sofrimento emocional cresce, mas cresce também a consciência social sobre a necessidade de discutir o tema.
“O Brasil ainda enfrenta índices alarmantes, mas, diferente de outras épocas, hoje existe menos silêncio e mais mobilização social, institucional e política. Ainda não estamos avançando na velocidade necessária, mas já deixamos de estar parados.”
*Estagiário sob supervisão de Diogo Max
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