Ele já chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de “o principal arquiteto do complexo de censura e perseguição” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, que atualmente está preso. Agora, Darren Beattie foi escolhido pelo governo do presidente Donald Trump para atuar como assessor sênior responsável por temas relacionados ao Brasil dentro do Departamento de Estado dos Estados Unidos.
A informação foi confirmada pela agência Reuters nesta sexta-feira (27), que citou um alto funcionário do Departamento de Estado para declarar que Beattie atualmente ocupa este cargo de confiança. Segundo a publicação da agência britânica, três fontes com conhecimento da nomeação de Beattie disseram que ele assumiu recentemente essa função.
O novo cargo coloca Beattie em posição estratégica na formulação e coordenação de diretrizes diplomáticas envolvendo o Brasil. Embora o Departamento de Estado não tenha detalhado o escopo exato do cargo, a função de assessor sênior nos EUA normalmente envolve o aconselhamento direto à liderança da pasta, articulação interna entre diferentes escritórios e acompanhamento político de temas sensíveis na relação bilateral.
O assessor é formado em matemática pela Universidade de Chicago e doutor em teoria política pela Universidade Duke, da Carolina do Norte. Antes de assumir cargos em pastas do governo americano, Beattie atuou como professor visitante e como redator de discursos na Casa Branca durante o primeiro mandato de Trump, até ser deixar a função em 2018. Ainda no primeiro mandato Trump, Beattie foi nomeado para a Comissão dos EUA para a Preservação do Patrimônio Americano no Exterior. O assessor também é fundador do portal de notícias conservador Revolver News.
Beattie é próximo dos Bolsonaros, tendo inclusive se encontrado no ano passado com o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, nos Estados Unidos. Ele também foi um dos principais defensores das sanções impostas pelos Estados Unidos contra o ministro Moraes no ano passado, quando ocupava o cargo de subsecretário interino de Estado para a Diplomacia Pública e Assuntos Públicos. Na época, após o governo Trump aplicar punições com base na Lei Magnitsky contra Moraes, Beattie publicou na rede social X que a Casa Branca se opunha “firme e enfaticamente ao complexo de perseguição e censura do ministro Moraes, violador de direitos humanos sancionado”.
Em outra publicação, no Dia da Independência do Brasil, escreveu que os Estados Unidos continuariam a “tomar as medidas cabíveis” contra Moraes e contra “os indivíduos cujos abusos de autoridade minaram essas liberdades fundamentais”. Quando o presidente Trump enviou carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva mencionando a possibilidade de impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, Beattie afirmou que os ataques contra Jair Bolsonaro representavam “afrontas à liberdade de expressão e ao comércio americano”, acrescentando que o governo dos EUA estava “acompanhando de perto” a situação no Brasil.
Beattie já ocupou diversas funções importantes no atual governo Trump. Ele assumiu em fevereiro do ano passado o posto de subsecretário interino para Diplomacia Pública e Assuntos Públicos. Também atuou como subsecretário interino para Assuntos Educacionais e Culturais. Em outubro do ano passado, foi promovido ao cargo de chefe do Escritório de Assuntos Educacionais e Culturais, função que deve exercer paralelamente a de assuntos sobre o Brasil.
A nomeação de Beattie como assessor para assuntos relacionados ao Brasil sinaliza que a Casa Branca pretende manter atenção especial ao cenário político brasileiro, especialmente em temas ligados à liberdade de expressão e decisões judiciais envolvendo aliados conservadores no país.
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