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Número 2 do chavismo mantém retórica anti-EUA

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Na terça-feira passada (6), três dias depois da operação em que os Estados Unidos capturaram o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, a agência Reuters publicou uma reportagem na qual três fontes oficiais não identificadas apontaram que o governo Donald Trump deu um aviso a Diosdado Cabello, ministro do Interior, Justiça e Paz venezuelano, para que ele não atrapalhe o processo de transição no país caribenho.

Segundo as fontes ouvidas pela agência britânica, Washington alertou que o número 2 do chavismo “pode aparecer no topo da sua lista de alvos” se não ajudar a ditadora interina, Delcy Rodríguez, “a atender às exigências dos EUA e a manter a ordem após a queda de Nicolás Maduro”.

Porém, mesmo com o alerta americano, Cabello manteve nos últimos dias sua conhecida retórica desafiadora.

Na terça-feira passada, ele divulgou um vídeo, no qual aparecia ao lado de um grupo de militares, dizendo que os controles policiais foram reforçados e repetindo os bordões “sempre leais, jamais traidores” e “duvidar é traição”.

Logo depois, a pasta de Cabello soltou comunicado no qual relatou que o ministro, em visita ao bairro de Caricuao, em Caracas, “reafirmou o compromisso do governo bolivariano com a defesa integral da pátria e a proteção do povo, diante dos ataques imperialistas que buscam minar a soberania e a estabilidade de todos os venezuelanos”.

Na quarta-feira (7), em seu programa de TV, “Con El Mazo Dando”, transmitido pela emissora estatal VTV, Cabello disse que a operação americana em que Maduro e a esposa deste, Cilia Flores, foram capturados, deixou pelo menos cem mortos (cifra que não foi confirmada por fontes independentes).

“O ataque contra o nosso país foi terrível, isso é verdade, é um fato”, disse o chavista, que voltou a alfinetar os EUA ao chamar esses mortos de “mártires” e dedicar o programa de TV a Maduro e Flores.

Na noite de quinta-feira (8), nova provocação: Cabello afirmou, em ato na Plaza O’ Leary, em Caracas, que a Venezuela está “em paz” porque o regime chavista mantém “o monopólio e pleno controle das Forças Armadas” e chamou a operação em que Maduro foi capturado de “sequestro”.

“Estamos nos recuperando do ataque que realizaram contra o nosso povo, contra a paz do país, que terminou com o sequestro do nosso irmão, o presidente da República Bolivariana da Venezuela, Nicolás Maduro, e da nossa companheira Cilia Flores”, declarou Cabello, segundo o site Efecto Cocuyo.

“A posse das armas nos permitiu manter o controle, para que nenhum grupo possa reivindicar a responsabilidade por atos de violência que não sejam os perpetrados pelos Estados Unidos na madrugada de 3 de janeiro”, alfinetou.

Cabello é tão provocador que, até quando elogia a aproximação entre Venezuela e EUA, trata de criticar os americanos.

Nesta segunda-feira (12), em entrevista coletiva do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), do qual é secretário-geral, ele disse aprovar a reaproximação diplomática que está sendo negociada entre Caracas e Washington porque isso permitirá ao chavismo “ter representação consular” nos Estados Unidos para “garantir a segurança e a tranquilidade” de Maduro e Flores – sugerindo que ambos correm riscos na prisão.

“Esse é o objetivo fundamental: ter alguém lá, porque agora não temos ninguém. Eles estão sequestrados lá, e não temos ninguém, exceto os advogados, que não são venezuelanos, a quem agradecemos, mas nos falta representação consular para supervisionar as relações entre os dois países e, neste caso específico, para cuidar da saúde de Maduro e Cilia”, argumentou.

Quem é Diosdado Cabello

Cabello, de 62 anos, é militar reformado e aliado de primeira hora do chavismo. Em 1992, quando Hugo Chávez tentou um golpe de Estado, ele estava ao lado do futuro ditador. Ambos acabaram presos e Cabello ficou detido durante dois anos.

Quando Chávez finalmente chegou eleito ao poder, em 1999, Cabello o acompanhou. Exerceu vários cargos no governo venezuelano (diretor da Comissão Nacional de Telecomunicações, ministro da Secretaria da Presidência e vice-presidente) e até exerceu interinamente a presidência durante algumas horas em abril de 2002, após a crise em que Chávez quase foi derrubado.

Depois, foi ministro do Interior e da Justiça pela primeira vez (2002-2003), da Infraestrutura e de Obras Públicas e governador do estado de Miranda. Como deputado na Assembleia Nacional (que chegou a presidir), ajudou o chavismo a varrer a oposição, inclusive após Maduro substituir Chávez depois da morte deste, em 2013.

Em agosto de 2024, Cabello voltou à pasta do Interior e da Justiça, para coordenar a repressão aos protestos contra a fraude eleitoral do mês anterior que manteve Maduro no poder.

Tanta fidelidade foi recompensada com muitos favores indecorosos, e Cabello é acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e narcotráfico.

Em março de 2020, os Estados Unidos o declararam procurado, acusando-o de envolvimento numa conspiração narcoterrorista entre o Cartel de los Soles, da Venezuela, e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Ele foi indiciado à época numa corte federal em Nova York por conspiração para cometer narcoterrorismo, conspiração para enviar cocaína para os Estados Unidos e acusações relacionadas envolvendo armas de fogo.

O Departamento de Estado americano ofereceu a princípio uma recompensa de até US$ 10 milhões por informações que levem à prisão e/ou condenação de Cabello. No início de 2025, a recompensa foi elevada para US$ 25 milhões. O número 2 do chavismo também foi alvo de sanções dos Estados Unidos.

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