Expirou nesta quinta-feira (5) o tratado New START, assinado por Rússia e Estados Unidos em 2010 e que estava em vigor desde fevereiro de 2011. Com o fim do acordo, os países não têm mais restrições sobre o tamanho de seus arsenais nucleares estratégicos.
O tratado estabelecia limites para os mísseis, lançadores e ogivas estratégicas de cada lado. Foi o último de uma série de acordos nucleares que remontam desde a época da Guerra Fria.
O presidente russo, Vladimir Putin, chegou a propor que as duas potências nucleares estendessem o termo do acordo por mais um ano. No entanto, o presidente americano, Donald Trump, sequer respondeu à proposta, fazendo com que o tratado caducasse.
Trump declarou que gostaria que um novo acordo nuclear pudesse ser costurado se incluísse também a China, mas Pequim se opõe.
Lin Jian, porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China, declarou que o país não pretende se juntar às negociações, uma vez que seu arsenal nuclear “não está no mesmo nível de Estados Unidos e Rússia”.
Quais países têm armas nucleares?
Segundo a Federação de Cientistas Americanos (FAS), o arsenal nuclear global está em queda desde a metade dos anos 1980, quando a Guerra Fria começou a se resolver. No auge, foram aproximadamente 70 mil ogivas nucleares ativas no planeta.
Foi nessa época que a União Soviética e, posteriormente, a Rússia, começaram a desmanchar suas armas, enquanto os Estados Unidos já vinham em um processo de redução de seu inventário desde o fim dos anos 1960.
Veja o ranking das maiores potências nucleares, de acordo com dados de outubro de 2025 da FAS:
- Rússia – 5.459 ogivas
- Estados Unidos – 5.177 ogivas
- China – 600 ogivas
- França – 290 ogivas
- Reino Unido – 225 ogivas
- Índia – 180 ogivas
- Paquistão – 170 ogivas
- Israel* – 90 ogivas
- Coreia do Norte – 50 ogivas
* Israel não nega nem confirma ter armas nucleares
Vale notar que outros países guardam armas para nações parceiras, ainda que não tenham posse de nenhuma própria, como parte do programa compartilhamento da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Os países que hospedam armamento nuclear dos Estados Unidos são Alemanha, Bélgica, Países Baixos, Itália e Turquia.
Por outro lado, Belarus também armazena armas nucleares da Rússia.
Israel tem uma política de ambiguidade sobre armas
Acredita-se que Israel tenha um arsenal nuclear, mas é parte da política do país manter a ambiguidade sobre o tema, sem confirmar nem negar a posse das armas. A política dificulta estimativas sobre a extensão do arsenal nuclear do país, que não é signatário do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares.
Várias fontes internacionais já indicaram que o país tem, sim, armas nucleares. Quando Robert Gates, ex-diretor da CIA, foi indicado por George W. Bush para ser secretário da Defesa dos Estados Unidos, ele confirmou a existência das armas em audiência no Senado, em 2006.
O ex-presidente dos EUA Jimmy Carter também afirmou que Israel tem um arsenal nuclear mais de uma vez em declarações públicas. Foi o primeiro ex-presidente americano a confirmar a informação.
Israel, por sua vez, declara apenas que não será o primeiro país a introduzir armas nucleares no Oriente Médio. A declaração dá a entender que o arsenal, se existir, seria usado apenas como resposta a um ataque.
Em 2023, Amichai Eliyahu, então ministro do Patrimônio de Israel, foi suspenso após sugerir a utilização de artefatos nucleares em Gaza. A declaração pode ser interpretada como um deslize, confirmando a posse das armas.
Apesar da falta de transparência intencional de Israel, a FAS entende que o país tem um estoque militar com 90 ogivas nucleares.
China amplia arsenal nuclear apesar de Tratado de Não Proliferação
A China assina o Tratado de Não Proliferação, mas é o único país membro cujo arsenal nuclear vem aumentando de maneira significativa nos últimos anos. O país não tem um arsenal tão vasto quanto Rússia e Estados Unidos, mas o crescimento nos últimos anos é representativo.
Entre 1980 e 2010, o número de armas chinesas permaneceu praticamente estagnado, oscilando entre 205 e 235 ogivas. Desde então, o inventário mais do que dobrou. Em 2025, estimava-se que o país já tinha 600 ogivas nucleares.
Países que não assinam o Tratado de Não Proliferação
Vizinhos e inimigos declarados, Índia e Paquistão vivem tensão desde 1998, quando os dois países realizaram os primeiros testes com armas nucleares. Os dois países já se recusaram a assinar o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares e vivem um aumento de seu inventário.
Já a Coreia do Norte é o único país que assinou o tratado e se retirou do acordo posteriormente. O fato aconteceu em 2003, quando o país culpou agressões pelos Estados Unidos para deixar o programa.
Completando a lista de países não-signatários estão Israel, cuja posse de armas nucleares não é oficialmente reconhecida, e o Sudão do Sul, fundado em 2011, que ainda não assinou o acordo.
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