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Nenhum país sem bomba atômica enriquece urânio como o Irã

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Candidato apoiado pelo presidente da Argentina, Javier Milei, à chefia da Organização das Nações Unidas (ONU), o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, afirmou nesta terça-feira (3), em entrevista ao jornal argentino La Nación, que o nível de enriquecimento de urânio do Irã não tem precedentes entre países que não possuem armas nucleares.

“Nenhum país sem armas nucleares enriquece urânio como o Irã. É brincar com fogo”, declarou o diplomata ao comentar a escalada do conflito entre EUA, Israel e o regime islâmico, devido ao impasse sobre o programa nuclear de Teerã.

Segundo Grossi, a situação relacionada ao programa nuclear do regime islâmico já preocupa a comunidade internacional há anos. Ele afirmou que a ambiguidade sobre os limites do programa nuclear do país islâmico cria um ambiente de desconfiança permanente na comunidade internacional.

“Um programa nuclear ambíguo cria uma situação de pré-guerra”, afirmou Grossi na entrevista. “Os Estados Unidos e Israel não vão permitir que o Irã tenha armas nucleares, e outros países também não. O Irã optou por um certo grau de opacidade. […] Não se trata de justificar a guerra, mas de entender como chegamos até aqui”, acrescentou.

O diretor da AIEA lembrou que a agência não conseguiu restabelecer plenamente suas atividades de inspeção no Irã desde a chamada Guerra dos 12 Dias, ocorrida em junho do ano passado, quando Israel e os EUA bombardearam diversos complexos nucleares de Teerã. Conforme explicou o diretor, apesar da agência manter contatos frequentes com autoridades do regime islâmico, incluindo o ministro das Relações Exteriores Abbas Araqchi, ainda não foi possível recuperar o nível de acesso necessário para verificar as atividades nucleares no país.

Grossi relatou ao La Nación que chegou a participar das negociações diplomáticas que estavam ocorrendo entre os EUA e o Irã, mediadas por Omã, que buscavam neutralizar tanto o programa nuclear quanto o programa de misseis do Irã. As conversas ocorreram no Oriente Médio e na Europa.

Segundo Grossi, as discussões avançaram em alguns pontos, mas “divergências técnicas” impediram a conclusão de um acordo. Entre as questões ainda abertas estavam se o Irã poderia continuar enriquecendo urânio, em que nível isso seria permitido e como seriam conduzidas as verificações internacionais.

O chefe da agência nuclear da ONU afirmou ainda que não ficou surpreso com o início da atual ofensiva militar contra o Irã.

“Sabíamos que a situação estava extremamente tensa e que uma ação militar não podia ser descartada a qualquer momento”, disse.

De acordo com a AIEA, imagens de satélite e informações preliminares indicam que importantes instalações nucleares do Irã foram atingidas nesta atual ofensiva conduzida por Estados Unidos e Israel. Entre os locais afetados estaria a instalação nuclear de Natanz, onde, segundo Grossi, mais dois pontos de acesso teriam sido bombardeados. A instalação também foi alvo de bombardeios dos EUA no ano passado, onde, segundo informações, ficou severamente danificada. Já no caso da instalação nuclear de Isfahan – também atingida pelos EUA em 2025, Grossi afirmou que ainda “não está claro” se os danos causados por essa atual ofensiva atingiram diretamente as estruturas nucleares da instalação ou se as explosões ocorreram em instalações militares localizadas nas proximidades do complexo.

Apesar dos ataques anteriores e das operações recentes, Grossi afirmou que parte da capacidade nuclear iraniana ainda pode permanecer intacta. Segundo ele, o Irã ainda possui cerca de 440 quilos de urânio enriquecido a 60%, um nível considerado tecnicamente próximo do necessário para a produção de combustível para armas nucleares. Israel e os EUA acusam o Irã de estar justamente trabalhando para produzir armas nucleares.

Mesmo diante da escalada militar, Grossi defendeu que a solução duradoura para a questão nuclear do Irã não será alcançada pela força. Segundo ele, após o fim dos combates em curso, será necessário retomar negociações diplomáticas para “estabelecer um mecanismo de controle e verificação que reduza as tensões na região”.

O diplomata também alertou que os ataques retaliatórios do Irã contra países que abrigam bases militares americanas ampliam os riscos de uma escalada internacional.

“Existe um risco evidente”, disse Grossi, ao destacar que a resposta iraniana contra países da região pode envolver novos atores e tornar o conflito ainda mais complexo.

Segundo o diretor da AIEA, a agência está pronta para retomar negociações e oferecer garantias técnicas que assegurem que o programa nuclear iraniano não represente uma ameaça internacional, caso as condições políticas permitam a retomada do diálogo.

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