O Ministério Público de São Paulo (MPSP) intensificou a apuração sobre aplicações de recursos previdenciários municipais no Banco Master, instituição controlada por Daniel Vorcaro e liquidada pelo Banco Central em novembro de 2025, após a constatação de grave crise de liquidez e violações às normas do sistema financeiro nacional. Agora são quatro representações encaminhadas ao Tribunal de Contas para acompanhar aportes realizados por institutos de previdência de municípios paulistas.
Informações preliminares indicam que as novas investigações apuram investimentos nos municípios de Cajamar, Araras, Santo Antônio da Posse e Santa Rita d’Oeste, que teriam designado valores expressivos em títulos do Banco Master nos últimos anos.
Em Araras, o sistema previdenciário local aplicou cerca de R$ 29 milhões em Letras Financeiras do banco, o equivalente a aproximadamente 6,8% da carteira de investimentos, incluindo aportes feitos após o período eleitoral. Já em Cajamar, o Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) destinou cerca de R$ 87 milhões em 2023 e 2024, o que representa pouco mais de 15% do total investido.
Em Santo Antônio da Posse, os aportes chegaram a R$ 7 milhões ao longo de 2024, enquanto em Santa Rita d’Oeste foram realizadas duas aplicações que somaram R$ 2 milhões, concentradas em um curto intervalo de tempo e correspondentes a cerca de 8,4% da carteira previdenciária do município. Embora os investimentos estejam formalmente dentro do limite legal de até 20% para esse tipo de ativo, o MP alertou para o risco de perdas significativas diante da situação financeira do banco.
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Recursos aplicados em títulos privados podem se perder integralmente
Em casos de insolvência bancária, recursos aplicados em títulos privados podem se perder integralmente, comprometendo a rentabilidade dos fundos previdenciários. Isso pode gerar impacto direto sobre aposentadorias e pensões e, eventualmente, obrigar os municípios a recompor os valores com recursos próprios, criando um problema fiscal adicional.
Nas representações, o Ministério Público solicita que o Tribunal de Contas apure quais medidas de acompanhamento e mitigação de riscos foram adotadas pelos gestores e pelos comitês de investimento, além de exigir esclarecimentos formais sobre as decisões tomadas à época das aplicações.
À CNN Brasil, as prefeituras envolvidas afirmam que estão adotando providências para proteger os interesses de aposentados e pensionistas e ressaltam a autonomia administrativa dos institutos de previdência. Em Araras, foi aberta sindicância interna para apurar os procedimentos adotados em 2024. Cajamar, por sua vez, informou que os investimentos seguiram a legislação vigente e que os pagamentos de benefícios não serão afetados.
Além desses municípios, São Roque também passou a ser alvo de questionamentos judiciais. Uma ação movida por integrante da sociedade civil acusa o Banco Master e gestores locais de gestão temerária e investimentos de alto risco em instituição considerada insolvente. A prefeitura e o instituto previdenciário local afirmam não ter sido oficialmente notificados e sustentam que as aplicações seguiram critérios técnicos e legais.
O Ministério Público segue aguardando manifestações adicionais dos municípios citados e da defesa de Daniel Vorcaro, enquanto as investigações avançam para avaliar eventuais responsabilidades administrativas e possíveis danos ao patrimônio previdenciário dos servidores públicos.
O caso envolvendo aplicações de fundos de previdência em títulos do Banco Master, de Daniel Vorcaro, já motivou a abertura de investigações pelo Ministério Público em pelo menos seis estados brasileiros: Alagoas, Amapá, Amazonas, Goiás, Rio de Janeiro e São Paulo.
As apurações tiveram início após o Banco Central decretar a liquidação da instituição, em novembro, diante de suspeitas de fraudes e de uma grave crise de liquidez. Dados do Ministério da Previdência Social indicam que, de outubro de 2023 a dezembro de 2024, institutos estaduais e municipais aplicaram cerca de R$ 1,8 bilhão em letras financeiras do banco, sem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
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