O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB) defendeu a indicação do deputado federal Odair Cunha (PT-MG) para o cargo de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), em substituição ao ministro Aroldo Cedraz.
“Eu reafirmo, aqui, esse compromisso com o deputado Odair, que é um deputado equilibrado, é um deputado que, mesmo sendo do PT, não tem aquele viés ideológico de extrema-esquerda”, afirmou, em sua primeira entrevista ao vivo de 2026, concedida ao portal Metrópoles nesta quinta-feira (26).
Motta destacou o histórico do parlamentar que, de acordo com ele, é “muito dado ao diálogo”. O apoio teria ocorrido após um acordo com o governo federal. Para o parlamentar, porém, é necessária a articulação com cada liderança.
Odair é formado em Direito e já foi presidente estadual do PT em Minas Gerais e secretário de Governo do durante a gestão do governador Fernando Pimentel (PT). Na Câmara, já defendeu a discussão sobre cannabis medicinal, a acumulação de cargos por profissionais da educação e assinou requerimentos de sessão solene em homenagem ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Do lado oposto, o PL defende a indicação do deputado federal Hélio Lopes (PL-RJ). Em nota, Hélio disse que já tem apoio de 80 parlamentares e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O espaço para um novo nome no TCU ocorre em meio a um crescimento do protagonismo da Corte de contas, especialmente diante da fiscalização da liquidação do Banco Master. A auditoria gerou atrito com o Banco Central (BC), que alegou violação de autonomia. O órgão também avalia o acesso de dados dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) por servidores da Receita Federal.
Presidente da Câmara elogia PEC da Segurança e tece elogios ao fim da escala 6×1
O deputado acenou positivamente a duas pautas que dividem a esquerda e a direita: o projeto de lei que propõe o fim da escala 6×1 e a proposta de emenda à Constituição que endurece a polícia de segurança pública no país (PEC da Segurança Pública). Sobre esta última, ele também elogiou a aprovação do projeto de lei antifacção.
A discussão sobre o endurecimento no combate ao crime envolveu as casas de apostas (Bets), que seriam taxadas em 15% para incrementar o Fundo Nacional de Segurança Pública. O Cide-Bets, porém, foi rejeitado em plenário. Motta negou que haja proteção às Bets, ao citar aumento de impostos ao setor. Ele defendeu a rejeição, citando “incompatibilidade técnica”. Para o deputado, o setor está “começando a se legalizar no país, e a legalização é o melhor caminho”.
Sobre a redução da jornada, Motta citou pesquisas que indicariam a popularidade do tema, citando o fim da escravidão no Brasil como algo que também teria gerado polêmica. O presidente, porém, negou que esteja à procura de protagonismo ao defender o tema. Ele não defendeu uma escala em específico, mas ressaltou a prática da escala 5×2 em alguns setores. Mesmo defendendo a proposta, o parlamentar defendeu que haja uma regra de transição. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) deve iniciar audiências públicas para debater o tema com representantes dos setores e da sociedade civil.
“Eu penso que a matéria, sendo bem construída, tendo responsabilidade para com o país, vejo que é, sim, muito viável a sua aprovação com o quórum constitucional no plenário da Câmara dos Deputados”, avaliou. Ele alegou que há lobistas em contato frequente com os parlamentares para barrar a PEC, e defendeu que o debate supere a “bolha” dos gabinetes.
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