Dezenas de milhares de pessoas compareceram às ruas de Madrid neste domingo (30) para uma manifestação contra o governo socialista do primeiro-ministro da Espanha Pedro Sánchez, após denúncias de corrupção e a prisão de dois ex-integrantes do alto escalão do governo espanhol por suspeitas de envolvimento em um amplo esquema de corrupção durante a pandemia.
Conclamada pela oposição de direita e organizado pelo conservador Partido do Povo (PP), a manifestação tomou a capital espanhola sob o slogan: “Isso é tudo: máfia ou democracia?” e reuniu, de acordo com os organizadores, cerca de 80 mil pessoas. O ponto de encontro dos manifestantes foi o Templo de Debod, no centro da capital.
O líder do Partido do Povo, Alberto Núñez Feijóo, descreveu o atual governo da Espanha como “absurdo” e afirmou que a Administração Sánchez não pode continuar no poder. “‘Sanchismo’ é corrupção política, econômica, institucional, social e moral”, disse Feijóo à multidão. “‘Sanchismo’ está na prisão e precisa sair do governo”, acrescentou.
Sánchez chegou ao poder em 2018, após se beneficiar de um voto de desconfiança do Parlamento espanhol que derrubou seu antecessor, o conservador Mariano Rajoy, também suspeito de ter cometido atos de corrupção durante seus oito anos no poder.
Corrupção na Espanha
A atual crise na Espanha chegou ao seu ápice na última quinta-feira, quando dois ex-integrantes do alto escalão do governo espanhol – o ex-ministro dos Transportes José Luis Ábalos e seu ex-assessor direto, Koldo García – por suspeitas de envolvimento em um amplo esquema de corrupção durante a pandemia. Ambos são figuras politicamente próximas do primeiro-ministro socialista Pedro Sánchez.
A decisão da Justiça da Espanha foi tomada pelo magistrado Leopoldo Puente, que conduz o chamado “caso Koldo”, investigação que apura contratos irregulares para a compra de máscaras no auge da pandemia de covid-19. De acordo com informações da agência EFE, o juiz avaliou existir “risco extremo de fuga”, especialmente diante da proximidade do primeiro julgamento do caso e das possíveis penas que podem chegar a até 24 anos de prisão no caso de Ábalos.
Segundo o jornal El Debate, o Ministério Público Anticorrupção da Espanha havia solicitado o endurecimento das medidas cautelares contra os dois réus. O juiz Puente destacou em sua decisão que há “indícios racionais de criminalidade” robustos, incluindo evidências de que Ábalos teria manejado grandes quantias de dinheiro em espécie ao longo dos últimos anos – um dos fatores que reforçou a avaliação de que o ex-ministro teria meios para deixar o país.
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