InícioBrasil“Master juntou do PCC ao STF”, diz vereador Rony Gabriel

“Master juntou do PCC ao STF”, diz vereador Rony Gabriel

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A decisão do vereador Rony Gabriel (PL), de Erechim (RS), de expor publicamente o esquema de contratação de influenciadores e páginas de redes sociais para atacar o Banco Central (BC) após a liquidação do Banco Master deu projeção nacional ao político e aprofundou a crise institucional em torno do caso.

Com quase dois milhões de seguidores no Instagram, o pré-candidato a deputado federal revelou ter recusado, em dezembro, convite para integrar o chamado “Projeto DV” — referência ao banqueiro Daniel Vorcaro — articulado por agências de marketing digital. No início de janeiro, ele passou a denunciar os bastidores da operação, que já vinha sendo monitorada pela Polícia Federal (PF).

Na quarta-feira (28), a PF abriu inquérito para apurar a atuação coordenada de ao menos 46 perfis suspeitos usados para deslegitimar a decisão do BC de liquidar o banco.

Segundo Rony, os influenciadores eram orientados a sustentar a tese de que a liquidação do banco teria sido precipitada. Os contratos poderiam chegar a R$ 2 milhões com o objetivo de alcançar 36 milhões de seguidores. A orientação era que os influenciadores divulgassem uma reportagem do portal Metrópoles que afirmava que o Tribunal de Contas da União havia visto precipitação na decisão de liquidar o Banco Master.

O vereador, que saltou da 25ª para a 9ª posição no ranking de engajamento político nas redes em 2026, afirma que o escândalo expõe uma rede que vai do crime organizado às altas esferas do poder. “O Master juntou do PCC ao STF”, disse à Gazeta do Povo.

Ele defende o avanço das investigações e a queda dos sigilos para alcançar todos os envolvidos. Veja os principais trechos da entrevista.

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A Polícia Federal abriu inquérito para apurar o ataque orquestrado de influenciadores contra o Banco Central e favorável ao Banco Master, denunciado pelo senhor. Qual é a sua expectativa?

Rony Gabriel: Ainda não fui procurado pela PF para depor, mas estou à disposição da corporação para colaborar com as investigações. O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o trabalho da PF, mas manteve o sigilo de elementos de provas do inquérito principal do caso Master. Espero que os advogados possam ter depois acesso a tudo.

Ao denunciar a arregimentação de influenciadores por agências, o senhor disse que estava sujeito à sanção de R$ 800 mil por quebra de contrato de confidencialidade. Essa multa chegou a ser executada?

Rony Gabriel: Apesar de eu ter feito a denúncia e revelar nomes e termos envolvidos no negócio proposto, a retaliação prevista em contrato não ocorreu até agora. Contudo, aqueles que aderiram à negociação e foram mostrados a mim como modelo de conteúdo de mensagem a ser seguido seguem me criticando duramente nos seus respectivos canais.

Eles alegam que não apresentei o contrato assinado por eles, o mesmo que também me foi oferecido. O fato é que tenho provas do que foi proposto e dos links dos vídeos postados por eles, enviados como amostras do trabalho.

Mesmo após terem os nomes expostos na denúncia, influenciadores de direita não tiveram abandono significativo de seguidores. A que se deve isso na sua opinião e o que deve ocorrer com eles após investigações?

Rony Gabriel: Após a lista formal desse pessoal todo aparecer para a imprensa, após o avanço das investigações da PF, eles vão sentir o efetivo impacto de suas decisões em participar daquela orquestração. Nomes cujos posts me chegaram por e-mail como modelos já estão sob investigação e foram revelados pela colunista Malu Gaspar, de O Globo. Todas as negativas deles cairão de vez por terra em breve.

Qual foi o efeito imediato da divulgação que o senhor e Juliana Moreira Leite fizeram sobre suas recusas em participar do ataque digital coordenado ao BC, mediante a contratação de influenciadores?

Rony Gabriel: A nossa denúncia no começo de janeiro sobre termos sido procurados para atuar como influenciadores digitais em favor do banqueiro Daniel Vorcaro veio num momento decisivo. Ela possibilitou que o gravíssimo escândalo do Banco Master não perdesse destaque no noticiário, dando impulso ao tema quando ele começava a sumir, dando espaço a outros, como a situação de Nicolás Maduro, ex-ditador da Venezuela.

Fatos relacionados a conflitos de interesse do ministro Dias Toffoli e decisões atípicas dele como relator do caso vieram à tona e absurdos acabaram não sendo normalizados. Ficou claro também o viés nada técnico e totalmente planejado da busca por um parecer do Tribunal de Contas da União (TCU) para fortalecer a narrativa de falha do BC.

É difícil dizer o que os inquéritos ainda revelarão sobre o escândalo do Master, mas espero que a PF tenha plena autonomia para investigar. Nesse sentido, torço para que o STF remeta o inquérito principal para a primeira instância, o que elevaria o nível de transparência.

Qual é, na sua visão, o papel da PF nessa crise do Master, considerando que a corporação tem sido alvo tanto de críticas quanto de elogios de grupos conservadores nos últimos anos, a depender de seus alvos?

Rony Gabriel: A Polícia Federal do Brasil é formada por profissionais qualificados e de perfis distintos. A maioria dessas pessoas trabalha muito bem, com total compromisso com sua missão perante a sociedade. Mas há uma parte delas que cumpre ordens capazes de minar a confiança da instituição. Apesar disso, na minha opinião, a PF faz historicamente um excelente trabalho em favor do Brasil e dos brasileiros.

Como o senhor vê o fato de parte da imprensa tradicional ter deixado de ignorar fatos que indicam abusos de decisões do Judiciário somente após a revelação de conflitos de interesse no escândalo do Master?

Rony Gabriel: Ficou claro que a crise gerada pelo caso Master acabou interferindo em interesses maiores, como grandes grupos financeiros, ameaçados pela perda de credibilidade das autoridades responsáveis pela regulação do setor. A percepção de grave risco a partir do que pode acontecer no país após determinadas decisões do Judiciário mobilizou atores de peso, criando uma divisão dentro de um arranjo entre poderes e parte da imprensa para não questionar fatos de flagrante ativismo judicial.

De certa forma, o escândalo financeiro mudou a percepção geral da corrupção. Se antes parecia haver um esquecimento ou alívio da punição para grandes crimes dos governos petistas e casos ridículos, como o da suposta importunação de baleia pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), eram considerados graves, o noticiário se rendeu a situações realmente críticas, como os desvios do INSS e agora as operações de Vorcaro.

A impressão que me dá é de que outros vários esquemas corruptos estão ocorrendo simultaneamente e que estão sendo descobertos aos poucos. Uma hora tudo vai desmoronar.

Na sua avaliação, como funcionava o esquema de influência, corrupção e fraudes envolvendo o Banco Master, com ramificações nos três poderes da República?

Rony Gabriel: O que chama atenção é a lista de personagens com trânsito privilegiado em Brasília contratados por Daniel Vorcaro, que acabaram formando uma espécie de conselho informal do Master voltado a abrir portas no poder. Não se tratava apenas de lobby tradicional, mas de remuneração direta por meio de contratos de consultoria, pareceres supostamente técnicos e até inclusão de pessoas na folha de pagamento do banco como forma de garantir acesso institucional.

São mecanismos que operam nos bastidores e só vêm à tona quando o escândalo explode. Enquanto no mensalão se pagavam propinas para assegurar apoio no Congresso, o caso Master estruturou uma rede permanente de influência sustentada por vínculos formais — salários, honorários e contratos terceirizados — que funcionavam como canais privilegiados junto ao Estado.

Quando Lula tenta reduzir o episódio a um banqueiro isolado, ele ignora deliberadamente o círculo de poder construído ao redor do banco, que alcança Executivo, Legislativo e até o Judiciário. O esquema atravessa desde organizações criminosas até autoridades públicas, passando por políticos, instituições financeiras e lideranças religiosas. A pergunta central é: Vorcaro comprou todos ou foi apenas o rosto visível de um grande negócio? Quem é, de fato, o verdadeiro controlador do Banco Master?

Não faço acusações nem suposições, mas é impossível ignorar que a dimensão do escândalo sugere algo maior do que um único empresário. Talvez ele seja apenas a face mais exposta de uma engrenagem muito mais ampla — e sacrificá-lo para preservar o restante do sistema não será simples.

Como o senhor avalia a comparação que tem sido feita entre o senhor e o deputado Nikolas Ferreira, considerando que ambos são políticos jovens e conservadores, com influência nas redes sociais?

Rony Gabriel: É verdade que eu e o Nikolas, a quem admiro, temos muito em comum na trajetória e nas posturas. A comparação entre nós é, portanto, inevitável. Inclusive por sermos filhos de pastores evangélicos, termos estudado Direito, sermos pais de duas filhas e termos forte visibilidade nas redes sociais. Mas temos diferenças, como a de eu vir de uma cidade do interior, com menos de 100 mil habitantes e ser um pouco mais velho – 31 ante os 29 de Nikolas. O deputado, que é hoje uma referência mundial de jovem político, também tem discurso combativo e estratégico. E eu? Eu sou eu mesmo.

Com tantos políticos de direita ganhando exposição na internet por meio de edições e cortes de vídeos curtos, sua ascensão digital vem de análises longas sobre assuntos nacionais. É outro modelo?

Rony Gabriel: Não é um modelo meu, mas uma das formas de angariar seguidores fiéis e uma grande rede. Minha opção é ir na contramão do algoritmo, que facilita as visualizações e a exposição. Minhas análises longas despertam o interesse de quem quer mesmo saber do que estou falando. As pessoas assistem, se inscrevem no canal e compartilham a publicação. Assim, trata-se de crescimento orgânico e espontâneo.

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