O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou nesta quinta-feira (8) que seu país votará contra na sexta-feira (9), em Bruxelas, contra o acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul.
Em comunicado, Macron advertiu que a provável assinatura do pacto pela UE “não é o fim da história” e justificou sua oposição ao que seria a maior área de livre-comércio do mundo por “uma rejeição política unânime” na França.
Para evitar a ratificação deste acordo, Paris precisaria de uma minoria de bloqueio na UE que, atualmente, parece estar fora de seu alcance.
Em meio aos protestos do setor agrícola francês, que chegaram a Paris nesta quinta-feira, Macron enalteceu os “indubitáveis progressos” da Comissão Europeia em relação às exigências da França sobre certos aspectos do acordo.
No entanto, o presidente citou como exemplo da ampla oposição ao pacto “os recentes debates realizados na Assembleia Nacional e no Senado” da França.
O chefe de Estado garantiu que “continuará lutando” para que a Comissão Europeia “ponha em prática” as medidas que prometeu “para proteger” os agricultores franceses.
Macron referiu-se assim às chamadas “cláusulas espelho”, que, por exemplo, certificariam que a carne do Brasil ou da Argentina cumpriria as normas sanitárias e ambientais da UE; e às salvaguardas, um mecanismo de freio caso as importações em massa — neste caso, provenientes do Mercosul — fizessem cair os preços na França.
Para bloquear o acordo, a França precisaria de pelo menos quatro países do Conselho Europeu que representassem mais de 35% da população do bloco, algo que, neste momento, parece complicado de conseguir devido à esperada mudança de posição da Itália.
Outra possibilidade é que os eurodeputados não ratifiquem o acordo ou se pronunciem a favor de uma análise do mesmo pelo Tribunal de Justiça da União Europeia.
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