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Lula e Flavio enfrentam entraves por palanques em Minas Gerais

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Principais nomes da corrida presidencial deste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) enfrentam em Minas Gerais um dos maiores desafios de suas estratégias eleitorais. Aliados dos dois lados intensificaram nas últimas semanas as negociações para montar palanques competitivos no estado, considerado decisivo na disputa pelo Palácio do Planalto.

O esforço se explica não apenas pelo peso eleitoral mineiro — mais de 16 milhões de eleitores —, mas também pelo histórico: há quase oito décadas, quem vence em Minas costuma chegar à Presidência. A única exceção nesse período foi Getúlio Vargas, eleito em 1950 sem maioria no estado.

Do lado petista, Lula voltou a sinalizar preferência pelo senador Rodrigo Pacheco (PSD) para disputar o governo mineiro. O projeto havia esfriado após Pacheco ser preterido na indicação para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso — Lula escolheu o atual advogado-geral da União, Jorge Messias.

Nos últimos dias, porém, interlocutores do Planalto voltaram a apostar na viabilidade da candidatura, inclusive com a hipótese de filiação ao União Brasil. Em entrevista ao portal UOL, Lula disse não ter abandonado a ideia.

Enquanto isso, o PT passou a sondar outros nomes, como a reitora da Universidade Federal de Minas Gerais, Sandra Goulart, e o ex-prefeito de Belo Horizonte Márcio Lacerda, hoje no radar do PV — possibilidade que ele descarta por estar fora da política. Ambas as alternativas, contudo, enfrentam dificuldades de viabilidade eleitoral.

Também circulam na cúpula petista os nomes do ex-prefeito da capital Alexandre Kalil (PDT) e do presidente da Assembleia Legislativa mineira, Tadeu Leite (MDB). Há ainda discussões sobre uma eventual chapa ao Senado que reúna Kalil e a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT).

O presidente do partido, Edinho Silva, chegou a ir a Belo Horizonte para conversar com Kalil e avaliar se há espaço para reconstruir a aliança firmada em eleições anteriores. A avaliação de aliados de Lula é que, mesmo sem empolgar setores do eleitorado petista, o ex-prefeito poderia ajudar a formar uma coligação ampla no centro político.

Pacheco, por sua vez, estuda deixar o PSD, incomodado com a aproximação da sigla com o grupo do governador Romeu Zema (Novo). O partido filiou o vice-governador Mateus Simões, que deve disputar o Palácio Tiradentes.

Kalil, derrotado por Zema na eleição passada, filiou-se ao PDT e manteve conversas com o PT no fim de 2025, mas aliados relatam que pesquisas internas e a falta de sinais claros do Planalto o levaram a preparar uma campanha independente. Dentro do PT, Marília Campos defende apoio imediato a ele caso Pacheco fique fora da disputa. “Não podemos perder o bonde da história”, disse.

A tese sofreu abalo nesta semana depois que o presidente do PDT, Carlos Lupi, afirmou em rede social que haveria acordo com o PT. Edinho negou, e Kalil reagiu dizendo que em seu palanque “sobe quem ele quiser”.

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Direita busca nome forte e tenta evitar cenário de 2022

No campo de Flávio Bolsonaro, a maior frustração recente foi a recusa do deputado federal Nikolas Ferreira (PL) em disputar o governo mineiro. Ele anunciou que buscará a reeleição à Câmara, por considerar sua atuação nacional estratégica para a direita.

O movimento reacendeu temores no PL de repetição do cenário de 2022, quando Romeu Zema (Novo) só declarou apoio a Jair Bolsonaro no segundo turno, após já ter sido reeleito. Naquela ocasião, Lula venceu em Minas por margem mínima: 50,20% a 49,80%.

Dirigentes do partido temem que Mateus Simões adote postura semelhante. O PSD tende a lançar candidato próprio à Presidência e Simões tem acordo com Zema para apoiar esse projeto, apesar de pressões do PL para que o atual governador componha uma eventual chapa presidencial com Flávio.

Outra baixa no entorno do senador foi o distanciamento do líder nas pesquisas para o governo, Cleitinho Azevedo (Republicanos). Após divergências com Eduardo Bolsonaro, ele esfriou a relação com o PL e colocou a definição eleitoral em espera depois do diagnóstico de leucemia de seu irmão, Matheus.

Nikolas Ferreira vira trunfo da direita nas eleições e em Minas Gerais

Nas articulações da direita, o deputado federal Nikolas Ferreira passou a ser tratado como peça-chave na estratégia em Minas Gerais e na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Com forte presença nas redes sociais e capacidade comprovada de mobilização nas ruas, Nikolas é visto por aliados como um ativo eleitoral capaz de impulsionar candidaturas locais e fortalecer a base bolsonarista no estado.

A recente “Caminhada da Liberdade”, convocada pelo parlamentar contra veto presidencial ao projeto de lei da dosimetria, reuniu milhares de pessoas e reforçou seu peso político no início do ano eleitoral. Com mais de 21 milhões de seguidores no Instagram, ele é considerado hoje o principal influenciador da direita para 2026, atrás apenas do ex-presidente Jair Bolsonaro entre políticos brasileiros.

Apesar da pressão interna para disputar o Palácio Tiradentes, Nikolas tem repetido que pretende buscar a reeleição à Câmara dos Deputados e que entrar na corrida estadual poderia se tornar, segundo ele, “um prato cheio para a esquerda”. A cautela tem provocado incertezas no campo conservador mineiro, especialmente entre aliados do vice-governador Mateus Simões, que tenta se viabilizar como sucessor do governador Romeu Zema.

Dentro do PL, porém, o deputado segue tratado como figura central. O deputado estadual Bruno Engler afirmou à Gazeta do Povo que Nikolas será decisivo na campanha presidencial.

“Ele pode ajudar falando com a juventude e usando a comunicação digital. Em Minas, é um dos pesos-pesados. Se fosse candidato ao governo, ganharia, mas não é o desejo dele agora”, disse.

Em entrevistas recentes, Nikolas reforçou que sua prioridade é Minas Gerais e que só participará de um projeto nacional se houver clareza sobre estratégia e alianças, mantendo-se como protagonista na mobilização do eleitorado conservador — ainda que oficialmente fora da disputa pelo Executivo estadual.

  • Como Nikolas Ferreira se tornou peça-chave na estratégia da direita para 2026
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