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Janela partidária pressiona PL e fortalece Centrão para 2026

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A aproximação da janela partidária para as eleições de 2026 já provoca impactos concretos na composição da Câmara dos Deputados e tende a intensificar um movimento iniciado ainda no primeiro ano da legislatura: a perda de cadeiras por parte do PL e o fortalecimento dos partidos do Centrão. Mesmo fora do período oficial de troca de siglas, parlamentares vêm antecipando movimentos estratégicos de reposicionamento político.

O PL, que iniciou a legislatura em fevereiro de 2023 como a maior bancada da Casa, perdeu deputados ao longo do mandato e viu sua vantagem numérica diminuir. Em sentido oposto, legendas de perfil pragmático ampliaram espaço e consolidaram uma posição ainda mais central nas negociações internas do Congresso.

O redesenho das bancadas ocorre em meio a mudanças estruturais no sistema eleitoral e a um cenário de incertezas no campo da direita, o que tem levado deputados a priorizar critérios de viabilidade eleitoral e sobrevivência política. Analistas apontam que o custo para montar chapas competitivas e a força das candidaturas majoritárias no topo da pirâmide eleitoral passaram a pesar ainda mais nas decisões partidárias.

Com isso, a janela partidária tende a funcionar como catalisador de um processo já em curso, aprofundando o deslocamento de forças em favor do Centrão e ampliando os desafios do PL para manter sua bancada às vésperas da disputa de 2026.

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Trocas fora da janela já alteram o tamanho das bancadas na Câmara

Os dados da Câmara dos Deputados indicam que as trocas partidárias ao longo da legislatura já redesenharam o tamanho das bancadas. O principal movimento é a perda de espaço do PL, que saiu de 99 deputados na posse, em 2023, para 88 no início de 2026, uma redução de 11 parlamentares.

O recuo contrasta com o desempenho de partidos do Centrão. O PSD cresceu de 42 para 47 deputados; o Republicanos, de 40 para 44; o PP, de 47 para 50; e o Podemos, de 12 para 16. Juntas, essas siglas ampliaram sua presença e reforçaram seu peso político nas negociações internas da Câmara.

Outras legendas registraram crescimento mais modesto, como Novo, Avante e Solidariedade, enquanto bancadas tradicionais permaneceram estáveis ou tiveram pequenas oscilações. O União Brasil manteve o mesmo número de deputados da posse, e o MDB perdeu uma cadeira.

O retrato atual das bancadas mostra que, mesmo antes da abertura oficial da janela partidária, o equilíbrio de forças já se deslocou em favor do Centrão, criando um ambiente mais desafiador para o PL.

Apesar das perdas registradas até agora, a direção do PL afirma que trabalha para reverter o quadro durante a janela partidária. O líder do partido na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), sustentou que a legenda estabeleceu uma meta de crescimento controlado da bancada.

“Estamos trabalhando com a planilha e com muito diálogo do presidente Valdemar [Costa Neto]. Temos uma meta de fechar a janela com 110 parlamentares. Na verdade, há até mais deputados querendo vir para o partido, mas, por causa da campanha nacional e da prioridade dada às disputas ao Senado em alguns estados, precisamos limitar esse número”, afirmou.

Na avaliação do cientista político Alexandre Bandeira, o avanço do Centrão e a perda de quadros pelo PL estão diretamente ligados ao que avalia ser uma reorganização da direita. Segundo ele, parlamentares passaram a agir menos por alinhamento ideológico e mais por critérios de viabilidade eleitoral.

Bandeira aponta que o PL enfrenta um problema estrutural na montagem de suas chapas. “Existe a ‘lei da sobrevivência’. O PL exige uma cesta de votos muito grande para eleger deputados. Em outros partidos, o vestibular é mais fácil, a nota de corte é menor”, disse. Esse cenário estimula a migração de parlamentares para legendas do Centrão.

Fundos partidários e fim das coligações explicam avanço do Centrão

Para o cientista político Paulo Kramer, o crescimento dos partidos do Centrão é resultado direto de mudanças institucionais e do aumento dos recursos públicos destinados às legendas. O fim das coligações proporcionais, segundo ele, reduziu o número de partidos competitivos e concentrou poder nas siglas maiores.

“O fim das coligações proporcionais fez crescer a base das legendas que conseguiram sobreviver”, afirma. Além disso, a ampliação dos fundos partidário e eleitoral incentivou os dirigentes partidários a recrutar novos quadros. “É com base no tamanho das bancadas federais que se faz o rateio dessa dinheirama”, disse.

Kramer avalia que essa lógica deve se intensificar com a próxima janela partidária, já que a tendência é de crescimento dos fundos a cada ciclo eleitoral. “Os partidos maiores devem usar a janela para aumentar seus quadros”, afirmou.

Sobre o PL, o analista observa que, apesar das limitações impostas pela legislação eleitoral, as bancadas da Câmara continuam sendo um ativo estratégico para as legendas. Nesse contexto, o desempenho eleitoral de uma candidatura majoritária pode influenciar diretamente a capacidade do partido de reter ou perder deputados.

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