A inflação subiu com mais força para as famílias de menor renda em janeiro e perdeu intensidade entre as mais ricas, segundo o Indicador de Inflação por Faixa de Renda divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). No mês, o IPCA — índice oficial que mede a inflação do país — ficou em 0,33%.
No estudo, o Ipea faz mapeamento de evolução da inflação em seis categorias de renda mensal. São pesquisadas trajetória de preços em renda muito baixa, com ganhos até R$ 2.999,82; renda baixa, com ganhos de R$ 2.999,83 a R$ 4.499,73; renda média-baixa, de R$ 4.499,74 a R$ 8.999,46; renda média, de R$ 8.999,47 a R$ 13.498,19; renda média-alta, de R$ 13.498,20 a R$ 22.998,21 e renda alta, acima de R$ 22.998,22.
Para as famílias de renda muito baixa, ou seja, com rendimento mensal inferior a R$ 2.999,82, a inflação passou de 0,14% em dezembro para 0,31% em janeiro, informou o Ipea.
Também houve aumento da taxa de inflação apurada pelo Ipea nas demais faixas até a renda média, de dezembro para janeiro. Nesse período comparativo, a taxa referente à renda baixa saiu de 0,18% para 0,34%; a de média-baixa, de 0,27% para 0,37%; e a de renda média, de 0,35% para 0,38%. Na renda média-alta, a taxa ficou em 0,38%, em janeiro, levemente abaixo do 0,41% de dezembro.
Em contrapartida, entre as famílias de renda alta, com ganhos acima de R$ 22.998,22, o movimento foi o oposto. A inflação desacelerou de 0,51% para 0,18% no mesmo período.
O que explica essa diferença são os itens que mais pesam no orçamento de cada grupo. Para as famílias de menor renda, as altas nas tarifas de transporte tiveram impacto direto: ônibus urbano subiu 5,1% e o intermunicipal, 2,5%, em janeiro. Também houve aumentos no trem (1,6%), no metrô (1,8%) e na gasolina (2,1%).
Ocorreram, ainda, aumentos de preços em produtos de higiene (1,2%), serviços médicos (1,1%) e planos de saúde (0,49%), que também ficaram mais caros. Mesmo com a conta de luz mais baixa e alimentos subindo menos, esses reajustes pressionaram o orçamento, informam os pesquisadores do Ipea. Os alimentos no domicílio ficaram apenas 0,10% mais caros em janeiro desse ano – sendo que, em janeiro de 2025, tiveram alta de 1,1%. Já energia elétrica ficou 2,7% mais barata, em janeiro de 2026. Em janeiro do ano passado, o recuo na tarifa de energia foi de 14,2%.
Já as famílias de maior renda foram beneficiadas por quedas de preço nas passagens aéreas (-8,9%) e nas tarifas de transporte por aplicativo (-17,2%), o que ajudou a conter o índice do mês, apesar da alta em serviços de lazer (0,49%).
No acumulado de 12 meses até janeiro, as diferenças de patamar de inflação, por faixas de renda, são menores. A renda muito baixa registra inflação de 4,31% – abaixo do IPCA acumulado de 4,44%, até janeiro. A renda média-alta tem a maior taxa, de 4,57%, enquanto a renda alta tem taxa acumulada de inflação de 4,34%.
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