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Indústria de máquinas prevê desaceleração em 2026, sob pressão de juros e avanço da China | Empresas

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A indústria brasileira de máquinas e equipamentos encerrou 2025 com receita líquida total de R$ 298,98 bilhões, o que representa expansão de 7,3% em relação a 2024. Apesar do resultado positivo, o setor projeta perda de fôlego para 2026, com estimativa de crescimento de 4%. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (28) pela Abimaq, entidade que representa os fabricantes.

No dia em que o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne, a diretora de competitividade, economia e estatística da Abimaq, Cristina Zanella, subiu o tom contra a manutenção da taxa Selic no patamar de 15%. Para a executiva, o custo do capital atual é “extremamente elevado” e atua como uma barreira direta tanto para a produção quanto para a comercialização.

“A Abimaq sempre defende que a taxa caia com mais firmeza e o mais rapidamente possível, porque isso abre espaço para investimentos produtivos”, afirmou Zanella. Ela pontuou que, embora a inflação dê sinais de controle, o setor não espera um alívio imediato nesta reunião, mas aguarda uma sinalização clara de queda para o próximo encontro, sob o risco de asfixiar ainda mais a competitividade nacional frente aos fabricantes da China, Itália, Alemanha e Coreia do Sul.

O principal ponto de pressão do balanço está no comércio exterior. As importações alcançaram o recorde de US$ 32,1 bilhões em 2025, alta de 8,3%, ampliando o déficit comercial do setor para US$ 18,4 bilhões. Em 15 anos, o saldo negativo cresceu mais de 120%, movimento que a entidade atribui à substituição da produção doméstica por bens importados.

A China consolidou-se como o principal vetor do desequilíbrio, respondendo por 32,5% de todas as importações brasileiras do setor. No consumo aparente total — que alcançou R$ 410,9 bilhões em 2025 —, os produtos chineses já representam 15%. “Dificilmente vamos reverter esse cenário de invasão gradual. A China ultrapassou Alemanha, EUA e Japão e tornou-se o maior fabricante mundial”, disse Zanella.

Políticas protecionistas de Donald Trump

No front externo, as exportações alcançaram US$ 13,8 bilhões, alta de 5%. No entanto, o setor sofreu o impacto direto das políticas protecionistas de Donald Trump: as vendas para os Estados Unidos encolheram 9,1%, reduzindo a participação americana no total das exportações brasileiras de 27% para 23%.

A queda no mercado americano foi compensada por uma diversificação geográfica forçada. As exportações para a América do Sul cresceram 19,5%, impulsionadas pelo forte avanço na Argentina, enquanto Cingapura ganhou espaço como mercado relevante para equipamentos voltados ao setor de petróleo. Para 2026, a expectativa é de estabilidade nas vendas externas, em meio a um cenário internacional mais volátil e incerto.

Acordo entre Mercosul-UE e reforma tributária

A diretora executiva de mercado externo da Abimaq, Patrícia Gomes, manifestou preocupação com a possível internalização do acordo entre Mercosul e União Europeia. Segundo ela, a indústria brasileira tem um “dever de casa” urgente para garantir isonomia competitiva. “Mesmo com cronogramas de redução tarifária de até 15 anos, será um desafio concorrer aqui no Brasil frente a políticas tão agressivas”, alertou Gomes, citando que critérios de compras governamentais e a falta de isonomia tributária como gargalos críticos.

Para Cristina Zanella, a reforma tributária é a única via para reduzir o chamado “Custo Brasil” e garantir que a modernização tecnológica, essencial para a sobrevivência das empresas, continue avançando.

Apesar da desaceleração na indústria de transformação, que deve ser afetada pelo endividamento das famílias e pela queda na renda, a Abimaq vê alento na infraestrutura. Por ser um ano eleitoral, a expectativa é de aceleração em obras públicas, mantendo a demanda por máquinas pesadas. Já a receita líquida interna, que atingiu R$ 221,6 bilhões em 2025, deve crescer mais modestos 5,6% em 2026, enquanto as exportações devem permanecer estáveis, pressionadas por um cenário internacional conturbado e um dólar menos favorável ao exportador.

Zanella destacou que o otimismo dos fabricantes permanece, com planos de elevar os investimentos em 5,5% no próximo ano, totalizando R$ 10,07 bilhões. A prioridade será a modernização tecnológica (36,4%) e a ampliação da capacidade industrial (34,4%), vista pela executiva como condição de sobrevivência: “Se não houver modernização, o setor não sobrevive. É ela que garante a produtividade de toda a cadeia”, concluiu.

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